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Mensagens vazadas revelam que Sérgio Moro orientava a Lava Jato


Reportagens publicadas neste domingo (9) pelo site “The Intercept Brasil” mostra que o ex-juiz federal e hoje Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, orientou as investigações da Operação Lava Jato em Curitiba através de mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram com o Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

O site afirmou que recebeu de uma fonte anônima um grande volume de mensagens trocadas no aplicativo entre membros da Lava Jato e entre Dallagnol e Moro. Nas conversas, eles discutiram, entre outras coisas, maneiras deevitar que fosse realizada uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Folha, autorizada pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, no ano passado. A preocupação era de que a entrevista pudesse ajudar a eleger o então candidato à Presidência, Fernando Haddad (PT) ou "permitir a volta do PT".

A Lava Jato confirmoutersido alvo de um ataque hacker que resultou no vazamento das mensagens. Segundo o Ministério Público Federal do Paraná, no entanto,o conteúdo das conversas não revela nenhuma ilegalidade.

Segundo o The Intercept, os arquivos que revelam os bastidores da Lava Jato foram repassados ao site antes de o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, dizer que teve ocelular supostamente invadidoporhackers.

Dentre os diálogos entre integrantes do Ministério Público Federal (MPF) e o ex-juiz, há aqueles que revelam arelação promíscua existente entre acusação e julgadorque deveria ser imparcial pelo sistema penal “acusatório” previsto na Constituição Federal de 1988.

Nas mensagens trocadas, Moro reclama das decisões de MPF e cobra novas operações para manter-se na mídia.

De acordo as mensagens divulgadas pelas reportagens do site, horas antes de apresentar o powerpoint,Deltan não tinha certeza das provascontra o ex-presidente Lula no caso tríplex e da conexão delitiva (corrupção) com a Petrobras.

O site também mostrou mensagem em que procuradores da Lava Jato tramam paraimpedir entrevistas de Lulaantes da eleição com o objetivo de prejudicar a candidatura de Fernando Haddad (PT).

MORO E DELTAN

O site The Intercept Brasil divulgou neste domingo (9) trechos de conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol cujos teores ilegais podem anular todas as operações da Lava Jato. A partir de Curitiba, a força-tarefa desencadeou 61 fases que levaram empresários e políticos à prisão – e posterior delação premiada. As conversas entre Moro e Deltan eram realizadas pelo chat do Telegram, aplicativo russo de mensagens instantâneas. Nas mensagens trocadas, Moro reclama das decisões de MPF e cobra novas operações para manter-se na mídia.

O The Intercept promete ainda divulgar lotes de arquivos secretos da Lava Jato. Confira alguns trechos publicados;

Dallagnol – 22:19:29 – E parabéns pelo imenso apoio público hoje. […] Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. […].
Moro – 22:31:53. – Fiz uma manifestação oficial. Parabens a todos nós.
22:48:46 – Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.

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Dallagnol – 12:44:28. – A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeacao, confirma?
Moro – 12:58:07. – Qual é a posicao do mpf?
Dallagnol – 15:27:33. – Abrir

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Dallagnol – 21:45:29. – A liberação dos grampos foi um ato de defesa. Analisar coisas com hindsight privilege é fácil, mas ainda assim não entendo que tivéssemos outra opção, sob pena de abrir margem para ataques que estavam sendo tentados de todo jeito…
[…]
Moro – 22:10:55. – nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim.

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Dallagnol – 16:01:03 – Caro, favor não passar pra frente: (favor manter aqui): 9 presidentes (1 em exercício), 29 ministros (8 em exercício), 3 secretários federais, 34 senadores (21 em exercício), 82 deputados (41 em exercício), 63 governadores (11 em exercício), 17 deputados estaduais, 88 prefeitos e 15 vereadores […].
Moro – 18:32:37 – Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do mp e judiciário.

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Moro – 18:24:25 – Diante das absolvição do Vaccari seria talvez conveniente agilizar julgamento do caso do Skornicki no qual ele tb está preso e condenado. Parece que está para parecer na segunda instância
Dallagnol – 20:54:53 – Providenciamos tb nota de que a PRR vai recorrer
20:57:31 – Tem outras tb no TRF. Alguma razão especial para apontar esta?
Moro – 23:20:53 – Porque Vaccari tb foi condenado nesta?!

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Moro – 15:28:29. – Cara, recebi uma fotos de vc fantasiado de superhomem com um tal de Castor, não sei o que faço mas a Mônica Bergamin está perguntando se vc preferiu o Superman i, oi ou Iii?
Dallagnol – 22:47:06. – Kkkkkkk
22:47:28 – Tá no face tb?
22:48:10 – Se tiver, preciso tirar… ela está me difamando, era na verdade de príncipe que eu estava RS

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Moro – 12:32:39. – Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem. Desculpe dizer isso, mas com discrição, tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem.
Dallagnol – 12:42:34. – Ok, manterei sim, obrigado!

REPERCUSÃO

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Dias Toffoli, evitou repercurtir o caso das mensagens vazadas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, revelados pelo The Intercept. Uma coletiva de imprensa que seria realizada nesta segunda-feira (10), sobre a seleção de magistrados, foi cancelada.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse que o conluio entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol na Lava Jato põe em xeque a equidistância da Justiça - “Apenas coloca em dúvida, principalmente ao olhar do leigo, a equidistância do órgão julgador, que tem ser absoluta. Agora, as consequências, eu não sei. Temos que aguardar”, afirmou o magistrado.