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Cala a boca já morreu” diz ABI sobre censura a Luis Nassif


 A ABI, Associação Brasileira de Imprensa, emitiu uma nota pública em seu site apoiando o GGN contra a censura judicial imposta a 11 reportagens assinadas por Luis Nassif e a repórter Patrícia Faermann, que citam o banco BTG Pactual. Sob pena de multa de R$ 10 mil por dia, o site foi obrigado a remover todo o conteúdo do ar. O GGN vai recorrer da decisão.

Na nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo, a ABI informa que “por acreditar e defender o ‘cala boca já morreu’, da ministra Cármen Lúcia, do STF, está buscando, por meio de sua assessoria jurídica, ingressas na ação, na condição de ‘amicus curiae’, para defender o direito à liberdade de expressão o

jornalista Luis Nassif.”

Na nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo, a ABI informa que ingressará na ação em defesa da liberdade de expressão do GGN, que foi censurado judicialmente a pedido do BTG Pactual.

A decisão judicial que mandou proibir reportagens do @JornalGGN sobre o banco BTG é da 32ª Vara cível do Rio de Janeiro. A censura está proibida expressamente na Constituição Federal de 1988.

A decisão da 32ª Vara Cível do Rio de Janeiro obrigou o Jornal GGN a tirar do ar uma série de reportagens sobre o banco BTG Pactual, sob pena de pagamento de multa diária de 10 mil reais em caso de descumprimento.

A decisão do juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves se baseia em uma série de reportagens realizadas pelos jornalistas Luis Nassif (que também é chefe de redação do GGN) e Patricia Faermann. Elas abordam vários contratos suspeitos envolvendo o banco, a começar por um caso que o meio denunciou em março deste ano: uma licitação supostamente dirigida da Zona Azul da Prefeitura de São Paulo, vencida pelo banco através da empresa Allpark, que pertence ao grupo BTG.

A jornalista Patricia Faermann, autora de algumas das reportagens publicadas, afirmou que “o processo é um exemplo claro de pressão contra um jornal, que apesar de ‘pequeno’ – como é descrito pelo juiz no despacho – traz à luz pública esquemas de favorecimento, contratos milionários e com falta de transparência, que o banco, seguindo as mesmas regras do livre mercado pelas quais se beneficia, tem obrigação de prestar contas”.

As reportagens do Jornal GGN estão baseadas em investigações que trazem os detalhes da licitação vencida pela Allpark, com diversas restrições que impediam a concorrência de outros interessados.

Em outra matéria, a denúncia aponta a uma estranha venda de “créditos podres” do Banco do Brasil para o BTG Pactual – se tratam de títulos cujo lucro são difíceis de restituir até mesmo para um banco público como o Banco do Brasil, e é ainda mais estranho que um banco privado de menor capacidade, como o BTG, esteja interessado neles.

Outra reportagem que foi censurada fala do lucro obtido pelo BTG através de fundos ligados às empresas de previdência privada no Chile, que administram o modelo previdenciário que o ministro da economia Paulo Guedes (ligado ao mesmo BTG) vem tentando emular no Brasil.

No entanto, segundo o magistrado do Rio de Janeiro as matérias seriam parte de uma suposta “campanha desmoralizadora, para causar dano à honra objetiva do banco (…) e que transborda os limites da liberdade de expressão”.

O Jornal GGN, irá recorrer da decisão no STF (Supremo Tribunal Federal), com o apoio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e do Instituto Vladimir Herzog.

LUIS NASSIF

Luís Nassif é natural de Poços de Caldas e tem uma estreita ligação com São João da Boa Vista, onde estudou e curou o antigo Curso Clássico no Instituto de Educação Cel Cristiano Osório. Em sua juventude participou ativamente de eventos culturais em São João como músico e compositor, participando de vários Festivais Musicais. Continua frequentando a cidade e visitando os amigos periodicamente.

Formado em jornalismo, foi colunista e membro do conselho editorial da Folha de S. Paulo, escrevendo por muitos anos sobre economia neste jornal. Nas composições que faz dos possíveis cenários econômicos, não deixa de analisar áreas correlatas que também são relevantes na economia, como o sistema de Ciência & Tecnologia.

Nassif também é compositor, bandolinista e pesquisador de choro.

Sua primeira experiência jornalística foi aos treze anos de idade, editando o jornal do Grupo Gente Nova, de Poços de Caldas. Aos quinze, fez estágio no Diário de Poços, durante o período de férias escolares.

Depois de se formar no segundo grau, em 1969, na cidade de São João da Boa Vista, passou no vestibular para a ECA e começou a trabalhar profissionalmente em 1º de setembro de 1970, como estagiário da revista Veja. Foi efetivado no início de janeiro de 1971. Em 1974 tornou-se repórter de economia da revista. No ano seguinte, ficou responsável pelo caderno de finanças.

Em 1979 transferiu-se para o Jornal da Tarde, na qualidade de pauteiro e chefe de reportagem de economia. Lá, criou a seção “Seu Dinheiro”, primeira experiência de economia pessoal da imprensa brasileira, e o caderno “Jornal do Carro”. Em 1983 mudou-se para a Folha de S. Paulo, onde no fim do ano criou a seção “Dinheiro Vivo” e participou do projeto de criação do Datafolha.

No início dos anos 1980 organizou com a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional São Paulo, um seminário com todas as subseções da OAB, que resultou na primeira grande campanha pelos direitos do consumidor, a dos mutuários do Sistema Financeiro da Habitação.

Nessa mesma década, foi um dos apresentadores do programa São Paulo na TV, ao lado de Paulo Markun e Sílvia Poppovic, umas das primeiras experiências de produção independente na TV aberta brasileira. Produzida pela Abril Vídeo, era veiculado na TV Gazeta.

Em 1985 criou o próprio programa na TV Gazeta, chamado Dinheiro Vivo. Em 1987, a partir do programa, nasceu a Agência Dinheiro Vivo, de informações de economia e negócios. Em 1986 ganhou o Prêmio Esso, categoria principal, com a série de reportagens sobre o Plano Cruzado.

Em 1987 saiu da Folha, retornando em 1991 como colunista de economia. Em 2006 o seu contrato não foi renovado. Luis Nassif foi, ainda, comentarista econômico da Rede Bandeirantes e da TV Cultura. Também atuou no rádio, como um dos apresentadores do Jornal Gente, na Rádio Bandeirantes de São Paulo, ao lado de José Paulo de Andrade e Salomão Ésper.

Apresentou o programa Brasilianas.org na TV Brasil, rede que faz parte da empresa estatal Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), criada em 2007 pelo governo Lula. O programa foi exibido até 2016.

Em abril de 2013, Nassif lançou o piloto do jornal eletrônico GGN, “o jornal de todos os Brasis”, um projeto jornalístico cujo propósito era aprofundar temas relevantes pouco abordados pela mídia convencional, tais como gestão, inovação, direitos sociais, justiça de transição etc., além de fazer uma cobertura comentada das notícias do dia. No mesmo ano, em outubro, fechou uma parceria de conteúdo do GGN com o iG, que por cinco anos hospedara o seu Blog do Nassif. Começou a também publicar no portal uma coluna com análises políticas e econômicas de temas apresentados e discutidos no GGN. Posteriormente, o GGN tornou-se um portal independente, dedicado à “produção de conteúdo crítico, a partir da construção coletiva de notícias ligadas a cidadania, política, economia, cultura e desenvolvimento”, com a participação efetiva dos especialistas no conteúdo. O portal adotou um modelo de jornalismo colaborativo, procurando, segundo Nassif, escapar da “dicotomia esquerda–direita que tem caracterizado o jornalismo online”. O portal tem, ainda, como um dos seus propósitos declarados, “a montagem de mini-redes sociais especializadas, com os principais grupos de discussão — do setor público e privado — para aprofundar os temas relevantes do Brasil do século XXI, cobrindo não apenas o factual, mas as visões estratégicas de país”.

Luís Nassif foi vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se nos anos de 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Também recebeu o Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.