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Cultura

INSETOS trata de questões sociais e políticas contemporâneas

(Foto ELISA MENDES/DIVULGAÇÃO/JC)

CRÍTICA

Tarcilio de Souza Barros

   “Insetos” aborda o imenso êxodo que desequilibra a natureza. O colapso é eminente. Nuvens de gafanhotos tentam destruir, mas se vêem diante de uma nova ordem imposta pelo louva-a-Deus. Nesse universo, o olhar sobre o humano ganha uma nova perspectiva, atravessada pela realidade dos insetos. Uma simbiose entre os insetos e os personagens da nossa história, em situações que estamos vivendo atualmente.

   O texto é de Jô Bilac adaptado pela Cia. dos Atores e dirigida por Rodrigo Portella. Jô Bilac propôs dar voz aos insetos para este espetáculo. São doze quadros que se entrelaçam formando um mosaico no qual o autor fala sobre convivência, medo e manipulação. Como uma fábula, o texto traça paralelos entre a natureza e questões político-sociais da atualidade evocando comportamentos coletivos e individuais revelados através de uma grande polifonia de diferentes insetos: cigarra, gafanhoto, barata, louva-a-deus, besouro, mariposa, borboleta, cupim, mosca e formiga.

   Com cenário de Bell Araujo e Cesar Augusto o espaço é ocupado por pneus que criam diferentes quadros para as cenas. Um amontoado de pneus onde perambulam os atores declamando suas histórias, entre dramas e comédias.  Ótimos figurinos de Marcelo Olinto trazem referências ao universo dos insetos - como asas e antenas. Ouvido pela reportagem o diretor Rodrigo Portella dissetertrabalhado entre o universo microscópico e invisível dos insetos e o nosso universo.

   O elenco alavanca o texto de forma dinâmica criando uma alegoria surreal. Dos preciosos monólogos a intrépidos diálogos a trama se sucede nas incríveis relações dos insetos ameaçados pelos homens com uma bateria de inseticidas objetivando sua extinção da face da terra; por não menos estes investem contra os agressores, no caso, os cupins que corroem as construções dos humanos, e dos gafanhotos que destroem as lavouras. Dessa guerra não sobrevivem ilesos, uns e outros. Rodrigo Portella em eficaz direção conduz os atores à um trabalho cênico de contundente encenação, marcação e sustentação oral.

   A Cia. dos Atores comemora 30 anos de atividade ininterrupta em 2018, se tornando um dos grupos de maior tempo de trabalho no Riode Janeiro. Recebeu os principais prêmios do teatro brasileiro.

   

Serviço ao leitor:

Peça teatral: Insetos

Texto: Jô Bilac

Direção: Rodrigo Portella

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (140 lugares)

Rua Alvares Penteado, 112 - Centro

DeQuartaàSegundafeira às 20 horas, aos Domingos 18 horas.

Ingressos: R$ 20,00

Avaliação: Excelente

Até: 20/08