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Cultura

“Amor Profano” retrata embate entre a dúvida e a fé

Foto Priscila Prade/Divulgação

CRÍTICA TEATRAL

Tarcilio de Souza Barros

   Dramaturgo israelense Motti Lerner em Amor Profano analisa a relação entre a dúvida e a fé, o agnosticismo e a heresia, mas acima de tudo, discorre sobre o amor.

   Em cena Vivianne Pasmanter na personagem Hannah e Marcelo Airoldi como Zvi, interpretam um casal que vive uma instigante história de amor. Um triângulo amoroso no qual Deus surge como terceiro protagonista.

   Hannah e Zvi se reencontram pela primeira vez após 20 anos do seu traumático divórcio. Ambos foram criados numa comunidade ultra-ortodoxa judaica em Jerusalém. O casamento acabou quando Zvi, em uma crise de fé, resolveu abandonar as leis religiosas e seguir uma vida secular em Tel Aviv.

   Sobrevindo o reencontro, os dois tiveram que finalmente confrontar o amor, a fé, suas escolhas e seus temores mais profundos. O despertar da paixão, do desejo assoma em convulsão entre os dois; nesse momento o autor coloca para o espectador a questão de ser possível o amor superar a fé e as diferenças religiosas?

   Na história do teatro há muitas polêmicas, e uma das razões para isso tem a ver com o fato de que a arte, raramente é uma equanimidade. Uma peça teatral do nível de Amor Profano provoca discordâncias e discussões saudáveis, mesmo que desagradáveis.

   Dois atores de categoria como Marcello Airoldi e Vivianne Pasmater descrevem valores morais para espectadores ávidos para concluírem do cumprimento da lei moral, ou da dissolução da moralidade.

   Em cena num duelo de representação Hannah e Zvi exercem seu papel de profunda dramaticidade, envoltos em seus determinados pontos de vista. Desde o princípio o espectador se inclina à favor de Hannah que em nenhum momento de sua vida renuncia ao cumprimento do Torá, mesma submetida ao sacrifício existencial. Svi afastado das leis milenares da religião judaica, e descrente de Deus, se determinou à matéria, envolvido em dúvidas insolúveis.

   Cena final um primor da arte teatral, após Hannah expôr à Zvi suas intenções de justa união matrimonial, e este não aceitar, pela mesma porta que Zvi entrou em sua casa pela primeira vez, Hannah sai silenciosamente. Encerra-se um ciclo de vida. Hannah para a luz da liberdade, Zvi para as sombras da solidão.

   Com admiráveis interpretações Marcello Airoldi e Vivianne Pasmanter elevam a cena teatral à um patamar gigantesco.

   Motti Lerner, com diálogos curtos, de maneira percuciente reflete sobre a complexidade do ser nascido nesse intrigante conflito do casal que perpassa na incomunicabilidade das relações humanas que na atualidade afetam o mundo contemporâneo.

   Amor Perfeito com direção segura de Einat Falbel compondo dois bons atores à trama prende à atenção do espectador num espetáculo raramente levado à cena com esse tema.

   Trilha sonora composta pela cantora Fortuna, cenários e figurinos de Zé Henrique de Paula, são admiráveis numa edição filmada, exibindo cenas de Jerusalém e do Muro das Lamentações. Incidental iluminação de Yuri Cumer sustentam com brilho a encenação.

   

Serviço ao leitor:

Amor Profano

Texto: Motti Lerner

Direção: Einat Falbel

Onde: Teatro VIVO (274 lugares)

Av. Dr. Chucri Zaidan, 2.460 - Morumbi

Hor.:Sextaàs 20h/Sáb. 21h/Dom. 19h.

Quanto:SextaR$50 -Sáb. eDom. R$70

Duração: 80 minutos - Gênero: Drama: 

Uma produção Morente Forte

Avaliação: Excelente

Até: 09/12