Sab09212019

Last update03:26:56 PM

Copyright © 2019 Gazeta de São João. Todos os direitos reservados.
Designed by JoomlArt.com.
Joomla! é um software livre com licença GNU/GPL v2.0

 


Back Você está aqui: Home Cultura Jornada debate vida e obra de Alceu Amoroso Lima

Cultura

Jornada debate vida e obra de Alceu Amoroso Lima


Cartas inéditas de Di Cavalcanti a AAL revelam conversão do pintor ao catolicismo 

Uma promessa, um legado com dezenas de livros publicados, um arquivo que guarda 32 mil documentos, entre eles cartas trocadas com os maiores intelectuais brasileiros do século XX. A conjunção de tantos fatores tem como resultado a “Jornada Tristão de Athayde – Seminário Alceu Amoroso Lima”, cuja terceira edição acontece neste mês de agosto em São Paulo e em Campinas. O evento organizado pelo neto de Alceu, Xikito Ferreira, convida para a mesa de debates pesquisadores brasileiros cujos trabalhos investigam a obra de Tristão de Athayde, pseudônimo usado pelo escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras. O objetivo do encontro é manter vivo este legado, incentivando o diálogo entre os estudiosos.

Diferentes enfoques serão abordados durante as palestras que compõem o evento. A existência de Deus e o protagonismo do jagunço Riobaldo, personagem do clássico “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, e as semelhanças na escrita de Alceu e de Ariano Suassuna serão alguns dos pontos discutidos. Pesquisadores irão ainda analisar a variedade de posições do pensamento católico brasileiro na primeira metade do século XX a partir da comparação entre AAL e seu cunhado, o escritor e jornalista Octávio de Faria, tanto no que diz respeito ao cenário político quanto ao cultural. 

Durante o encontro, serão apresentadas também seis cartas inéditas trocadas entre o intelectual e o pintor Di Cavalcanti, um dos ícones do Modernismo. Elas estavam guardadas em Petrópolis, no arquivo que reúne as correspondências recebidas por Amoroso Lima ao longo da vida. Os textos revelam um profundo interesse de Di Cavalcanti, comunista declarado, pelo universo católico de Amoroso Lima.

Ao longo das cartas, datadas do início dos anos 40, o pintor fala sobre a sua conversão, sua fé, sem nunca abandonar o compromisso ideológico que possuía com o comunismo e uma preocupação com temática de denúncia revelada através de uma pintura que traduz os dramas e o dia a dia de uma parcela invisível da sociedade.

Todo este movimento de estudo e pesquisa sobre a obra de Amoroso Lima tem origem em uma promessa. Pouco antes de morrer, em 2011, a filha mais nova de Amoroso Lima, Lia, fez um pedido ao sobrinho Xikito: que não deixasse a obra de seu pai cair no esquecimento. Chamada de Madre Teresa, ela viveu reclusa por 60 anos no mosteiro dos beneditinos em São Paulo. Ao longo das três primeiras décadas, recebeu cartas diárias do pai. Ciente da importância da obra do intelectual, ela não queria que as gerações futuras esquecessem o trabalho do homem que combateu a ditadura militar, se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras e dedicou sua escrita ao Brasil. 

Esta é a terceira rodada de debates da “Jornada Tristão de Athayde”. A primeira ocorreu em 2015, no Riode Janeiro; asegunda ocorreu no início de 2019, em Ouro Preto, Minas Gerais.

Em São Paulo o evento está marcado para o dia 22, na Casa Casulo, às 19h00 (Rua Groelândia, 160), com entrada gratuita.

Em Campinas, o evento será no dia 24 de agosto, às 10h00, no Centro Cultural Poveda (Rua Dr. Quirino, 1733 – Centro), com entrada gratuita.