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Eu Canto

Luiz Nappo Neto - Psicólogo Clínico

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A nossa vida é composta de muitos “ais”. As vezes nem sabemos porque dói ou onde dói mais, mas no mar da vida não é possível navegar sem as preocupações, sem as dores, sem as incertezas, sem as decepções, sem as mágoas ... sem os “ais”.

É certo que não devemos fugir das batalhas que a vida nos impõe, que devemos estar sempre pronto para empunhar nossa espada e enfrentarmos o poblemas de frente. Já é antigo o pensamento que diz que problema foi feita para ser resolvido.

Sabemos que para muito de nós não é nada fácil a escalada da vida, mas viver é preciso, apesar dos ais.

No pequeno poema de Cecília Meireles, denominado “Interpretação”, em certo momento, mais propriamente na primeira estrofe, ela diz:

“As palavras que aí estão, uma por uma:

porém minha alma sabe mais,

De muito inverossimil que perfuma

O lábio fatigado de ais?”

Por todo esse contexto do qual a vida é composta é que também, apesar de devermos enfrentar o que tem que ser enfrentado, temos que buscar formas de fazer com que se torne mais leve o peso que ela oferece.

Deixar de cumprir compromissos, alienar-se dos problemas em torno, não constituir resolução alguma, pelo contrário, só faz em aumentar significativamente os débitos que devem ser honrados.

Lendo outro poema de Cecília Meireles identifiquei-me com a idéia central do poema, onde se encontra uma música, no canto mais propriamente, um motivo para se viver melhor. Pode-se utilizar outros motivos, mas quaisquer que sejam eles devem, para realmente nos aliviar a alma, “falar fundo dentro de nós”, como boa música fala dentro de mim.

“Motivo” (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe

E a minha vida está completa.

Não sou alegre, nem estou triste,

Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

Não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

No vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- Não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritimada.

E um dia sei que estarei mudo:

- Mais nada.”