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VIVA A FOLIA!

A vida boa de viagens, passeios e vagabundagem ficou para trás. Estou de volta ao trabalho no Brás. O bairro estava quieto nesta semana. Em conversa com um comerciante, repetiu o velho jargão: “O Brasil só começa depois do carnaval.” Sorriu levemente, trazendo as marcas de trinta anos no comércio da região. Então, será na quinta-feira, darei um desconto para a quarta de cinzas, pois os foliões estarão sonolentos, muita ressaca a ser curada, muitos amores improvisados na lembrança, outros perdidos por escorregões na maior festa pagã do Brasil. De norte a sul, passando por sambas, frevos, maracatus, emboladas, umbigadas, oloduns, o povo se esbalda como se não houvesse amanhã. Isso é terrível, pois ele chega.

Eu ficarei quieto em Águas da Prata. Pode ser que vá à Fonte Platina ver a folia que por lá estão armando, talvez no bloco do Osório em São João da Boa Vista. Hoje, a grande moda é o carnaval de blocos pelas ruas. Escolhemos aquele com o qual nos identificamos e caímos na folia. Nunca fui atrás de bloco, muito menos trios elétricos, mas não é tarde para começar. Outra bela pedida é churrasco com piscina e música. Combinação perfeita, se junto às pessoas que amamos. Praia não me apetece. Lota, lota, lota! Certa vez, minha irmã Ana estava em uma pousada no Guarujá, praia do Tombo, e, segunda-feira de carnaval, decidi sair de São Paulo para aí encontrá-la. Em dias normais demoro uma hora e meia, naquele demorei três. Um estresse! Sem dizer que ao chegarmos, eu e a Luciane, não encontramos uma vaguinha se quer para enfiar o carro. Pois bem, a praia tem cerca de um quilômetro de uma ponta à outra. Depois de pararmos onde não sei onde, sol escaldante, andarmos por ruas e vielas carregando guarda-sóis, cadeiras e a indispensável mala de praia, conseguimos, sob minha batuta, sair do lado oposto em que minha irmã estava. Não preciso contar-lhes a cara emburrada da Luciane. Xingou na frente de todos, escrachou meu senso de direção, sentou junto ao grupo, pediu uma água de coco e se acalmou. Já era quase seis da tarde quando fomos até a pousada para conhecer. Mesmo sem ser hóspede mergulhei na piscina, pedimos um almoço-jantar, e fiquei em altos papos com um suíço de nome Patric. Só um probleminha. O suíço não entendia uma palavra do português e nem eu o seu francês embaralhado pelo álcool.

Saímos do Guarujá, Luciane ao volante, quase nove da noite. Confesso que dormi antes que chegasse à estrada e acordei quatro horas depois entrando na Mooca.

Agora, vou procurar, neste carnaval, algo mais tranquilo. Reafirmo: churrasco, piscina, boa música, cerveja gelada e a companhia dos amigos. Precisa algo mais?

É isso, bom carnaval!