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“ENTRE AS LETRAS, O MUNDO”

 

(foto Marcelo Geovanini))

 

 

 

Por Maria Nicolau – Doutoranda na UNIVÁS (Universidade do Vale do Sapucaí), orientanda da professora Dra. Maria Onice Payer. Bolsista da FAPEMIG.

 

       Teve inicio um novo curso de graduação em Letras na UNIVÁS com uma palestra magnífica proferida por Eni de Lourdes Puccinelli Orlandi. Essa foi a abertura da aula inaugural no salão de eventos da unidade Fátima, em Pouso Alegre, Minas Gerais.

A vontade e o desejo manifesto nas palavras da professora Eni Orlandi, Coordenadora do programa PPGCL (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem), saudou a todos com o tema intitulado “Entre as Letras, o Mundo”.

Eni abordou aspectos relevantes sobre a linguagem, dando ênfase a situações da importância da mesma, como, por exemplo, a partir de um gesto tão simples como a saudação entre pessoas conhecidas, que, ao dizer “oi”, produzem e sustentam uma relação social.  E vai adiante, declarando que apenas “uma coisinha como essa: oi, tem uma força enorme dentro da sociedade”.

Ela apresenta na palestra, pontos fundamentais para o curso ao se aprofundar sobre sua experiência, assinalando a importância de “produzir conhecimento sobre Letras, Língua e Literatura, mas também suas manifestações conexas, que hoje trazem uma enorme possibilidade de ação no mundo, e também, uma responsabilidade de escolhas na prática desse conhecimento e sua profissionalização”.

Ao citar a experiência como a que narra a seguir, “eu tenho alunos que já trabalharam a linguagem em outras perspectivas, que vão trabalhar em uma editora, em jornalismo, em direito, em posições importantíssimas”. E segue dizendo sobre a ilusão de que há um “fechamento do profissional de Letras como se não restasse a ele a não ser a profissão de professor”. “Algo muito localizado e que não é verdadeiro, pois o todo objeto de conhecimento é atravessado pela linguagem”, diz. E, como professor, o especialista em Letras tem a tarefa fundamental, para todo conhecimento, que é a de ensinar a ler e a escrever.

      Posteriormente em uma entrevista, Orlandi contou-me sobre o projeto do curso, considerando uma perspectiva inigualável, diferenciado e pertinente à contemporaneidade. Foram metas as quais “se pensou em um curso de Letras de graduação e com a experiência do Pós dentro da questão da linguagem”. Um olhar direcionado num investimento num “curso de Letras que respondesse a essa nossa atualidade, a forma como a linguagem está presente na sociedade, porque nosso trabalho é vincular a linguagem à sociedade”.

Eni Orlandi enfatizou o projeto a partir de “concepções atuais de linguagem e não ficar simplesmente, reproduzindo”. Isso nos permite ver, segundo Eni, que “é uma espécie de cartografia, isso é, as linhas metodológicas que atravessariam essas nossas ideias na realização do curso”. Relatou-me que tudo foi “organizado por eixos em que está o espaço, o tempo, a questão da subjetividade, que estão postas, e as disciplinas, na verdade, a gente organizou pensando nesses eixos”.

Ela referiu-se também, à língua e à literatura ao assinalar a questão de espaço, de regionalismo e como isso deve ser tratado de forma totalmente diferente tanto de linguagem como da maneira que você organiza a literatura.

A reflexão para a qual ela nos conduz, não é simplesmente “pensar numa cronologia, mas nas formas de linguagem pelo que é hoje, não como se a língua existisse separada de tudo”, e destacou “que se pensou mais na invenção, na reinvenção, no múltiplo, no movimento que é uma coisa constante, e foi assim que pensamos nas letras no mundo, ou seja, não “in vitro”, não separada, não só separada, das conjunturas em que ela vai existir, mas, sobretudo não separada da maneira como se manifesta a questão dos sentidos em outras linguagens e na língua”.

Em suas palavras, “tudo isso no fundo foi inspirando essa vontade primeira em fazer um curso de Letras que fizesse uma diferença, e, mais, é que, aqui na UNIVÁS, eu encontrei primeiro a possibilidade de um curso de Pós em linguagem já diferenciado, porque a gente introduz coisas já muito fortes, e agora tem muita gente no Brasil que trabalha assim, e aqui a gente consegue isso, porque tem uma equipe de docentes diferenciada; são muito bem formados e investem naquilo que fazem, e fazem aquilo que eles gostam”.

Nesse sentido, declarou, “é a mesma coisa que a gente espera no curso de Letras, e nesse sentido, tem-se que aproveitar essa chance que a UNIVÁS deu para a gente”. Ela acrescenta que, “não é qualquer universidade que topa fazer um curso de Letras que tem uma outra configuração, mas claro, a gente tem que respeitar os princípios básicos que são dados pelo MEC, que isso faz parte”.

Mas há algo muito especial ao propor um curso:é responder a uma atualidade e a linguagem é uma demanda em todas as áreas, de acordo com Eni. “Tem pessoas que falam ‘eu vou fazer o curso e vou dar aula’, mas não é só aula”, acrescentou.

Eni Orlandi sinalizou sobre estar “feliz com essa proposta, e, agora, já avançar e colocar em prática; essa é a parte que se efetiva agora, a de que os alunos compreendam aquilo que estamos querendo que eles compreendam e que está sendo proposto”. É este nosso investimento nesse momento.

E acrescento que, é bem-vindo pensar em um curso de Letras, com as letras poéticas no Mundo