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As Dores do Ser: O confronto de bem e mal na solidão da consciência de cada um

 

Reflexão Primeira: A dor é algo individual, ninguém sabe como é a dor do outro, sabemos o que é dor pela nossa experiência de dor, mas não sabemos qual é a dor do outro.A filosofia busca se enfronhar nos meandros do pensamento, a poesia almeja entender a essência dos sentimentos, mas nem o filósofo é o dono do pensar, nem o poeta é dono do sentir, são apenas seus servos em busca de entendimento. Quanto ao texto foi construído visando ser declamado como ato de um momento da vida humana.

 

Trevas de mim, 
por onde andam minhas luzes?
Lume oculto,
por que não lhe desvendo?
Verdade de mim, 
por que não se revela?
Mentira de mim, 
por que tem o poder de enganar-me?
Que fazer quando 
se sente apenas como migalhas,
os restos de tristeza 
que são mais potentes 
que as frágeis felicidades?
Dor de mim, 
por que insiste tanto 
a ponto de afugentar o prazer de ser?
De tudo que eu sempre quis,
por tanto que tanto lutei,
e então descobrir 
que todas batalhas 
já estão vencidas ou perdidas.
Migalhas de mim, 
como podem ser maiores 
que o todo de mim?
Guerra de mim, 
que se apoderou da minha paz,
a verdadeira paz.
A paz que não é dos mortos,
mas aquela que reluz em vida.
Pecado de mim, culpa de mim, 
até onde sou perseguido, 
até onde persigo a mim mesmo, 
sendo meu próprio carrasco?
Anjo mau de mim, 
por que se cala ante 
ao anjo bom que nada diz?
Anjo bom de mim, 
por que não vence o demônio 
que lhe desafia em silêncio?
Quietude da alma, solidão do ego, 
ninguém pode socorrer
o de fato sozinho.
Nem mesmo as lágrimas são válidas, 
pois apenas choram sem objeto definido.
Prisão de meu ser, 
até onde o corpo 
há de ser chave de minha liberdade?
Até onde criarei um espírito débil
para salvaguardar minhas desilusões?
Orgulho de mim, 
grande tolice de mim mesmo, 
totem caído em batalha.
Os inimigos estão a postos, 
não se crê em amigos 
no fio da navalha.
Até os enganos 
podem guiar um destino? 
Até onde se pode ser iludido?
Dos muitos porquês,
por tanto que se faz de nada...

Gilberto Brandão Marcon