Qui03042021

Last update04:26:39 PM

 

Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Artigos O Semeador de Estrelas – Crer ou não crer, ser ou não ser, natural ou sobrenatural, pouco importa, a poesia une razão, sentidos, sentimentos e vontade.

Artigos

O Semeador de Estrelas – Crer ou não crer, ser ou não ser, natural ou sobrenatural, pouco importa, a poesia une razão, sentidos, sentimentos e vontade.


 

E viu um botão de flor

que flutuava em meio

ao pontilhar prateado

das estrelas.

E sentiu um suave perfume

que se espalhava

pelo ondular

 das serenas brisas.

E o olhar se concentrou

e percebeu não ser

uma única flor,

mas de fato muitas.

De modo que

aquela era apenas

a primeira a ser vista

de um imenso jardim.

Um imenso

canteiro cultivado

por dedicado jardineiro,

um quadro de pura beleza.

Uma agradável visão

que trazia uma felicidade

tão intensa,

quanto desconhecida.

Felicidade cheia de leveza,

sentimento divino a flutuar

como pluma dentro do coração.

Brando sentir.

Na sua sutileza,

toda sua raridade.

No seu amor, toda

sua nobreza.

Cantiga de ninar,

acalanto materno

que embala nos braços

a tenra e bela criança.

Encontrando ali

outras tantas crianças,

reunidas em um canto

de harmonia celestial.

Movimentando-se lépidas,

como que a correr atrás

dos seus sorrisos,

felizes e em paz.

Misturando-se com as flores,

intensificando a beleza e a vida

com cores especiais.

E olhar que a tudo via

enfeitiçou-se com tamanho encanto,

e foi visitado por lágrimas.

Água pura que brotou

da nascente

do coração sensibilizado

por seu sentir ingênuo.

Não eram as impulsivas emoções,

mas os maduros sentimentos

que vivem na alma.

E foi a alma que desperta

de seu falso sono

que trilhou, tranquila,

por aquele caminho.

Uma velha alma

que se unia às crianças e às flores,

unindo senilidade com infância.

Inoculando em sua velha energia

o fluído das energias nascentes,

fazendo-se criança.

Encontrando neste rejuvenescer

a realização da maturidade liberta

dos velhos pecados.

Descobrindo a lição de que

ante o Criador será sempre

uma tenra e bela criança.

Permitindo que,

mesmo em seus longos anos,

mantenha viva

no peito a eterna infância.

Restaurando a meninice

que desperta os ideais

no coração

dos homens maduros.

Surpreendendo-se

com a imensa força

produzida a partir

da verdadeira afeição.

Delicado carinho

que cobre as antigas feridas.

Alimento santo,

lume que produz luz.

E a paz se fez e ficou cheio

de harmonioso silêncio.

E nele havia tanto e muito dizia.

E não tendo asas,

viu que se erguia

com os pés do chão,

flutuava em meio à criação.

Estava entre as sonhadas estrelas,

não mais lhe visitava

a melancólica saudade.

Anjo caído ou anjo enviado?

Entre as flores do infinito

isso importava muito pouco.

Embriagado pelo êxtase do espírito,

não sabia se antes chorava

ou sorria de felicidade.

E não sabendo exatamente,

despojou-se da razão,

fazendo-se totalmente livre.

Deixou-se levar para comungar

com o que simplesmente sabia

tocar-lhe o coração.

E não sabendo o que fazer,

percebeu lhe invadir

uma desconhecida

e profunda gratidão.

E não sabendo do porquê,

apenas agradeceu e,

entre incrédulo e recompensado,

vislumbrou um doce olhar

e seu sorriso,

que lhe dizia: "não por isto”