Dom07152018

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CRÔNICA DO DOMINGO

Dia desses, vi um colega de trabalho digitando para fazer a defesa em uma operação de crédito. Olho atendo no teclado, utilizava-se dos dois indicadores e escreveu o necessário para aprovar. Fiquei pensando... consigo digitar com os dez dedos das mãos, logo tenho uma vantagem competitiva. Na juventude, para elaborar um texto, tinha de fazê-lo manuscrito. Não conseguia raciocinar e datilografar ao mesmo tempo. Hoje não, o hábito da escrita fez com que mantenha o raciocínio no desenvolvimento da narrativa, enquanto que o automático cuida da digitação. Pensar e digitar. Lembro-me de meu pai, escrivão de polícia, tinha uma agilidade enorme na datilografia. Sentava-se à máquina e iam-se laudas e mais laudas sem um único erro. Hoje é fácil, além do corretor ortográfico, quando cometemos algum deslize, é só voltar o cursor e escrever novamente. Sem contar que, quando queríamos escrever um texto “justificado”, chegando ao final da linha, era preciso contar as letras para fazer a correta divisão silábica e, no ponto exato, “vapt” com a mão esquerda levando o corro para o outro lado. Como as coisas estão mais fáceis, não é verdade? Imagino, como pôde Cervantes ter criado uma obra gigantesca com, além da incrível imaginação, a pena e a tinta. Muita dedicação e disciplina!

Sei que tudo cai em desuso e um dia também aposentaremos a datilografia e a digitação, condição para arrumarmos um bom emprego em épocas passadas. Dentro em breve, sob o comando da voz, os textos serão transferidos magicamente para as telas dos computadores com perfeição. A mesma coisa sobre aprender um novo idioma. Andaremos com um tradutor em nossos ouvidos que fará todo o serviço. Onde trabalho, região do Brás, o mundo se encontra sob várias etnias e é comum entrar um chinês e mostrar no celular, usando o tradutor, o que deseja. Será o fim da Babel?

Mas, mais do que falar o mesmo idioma, o dos algoritmos, o mundo precisa se entender em ideias. Vejam, como explicar que, com toda a riqueza que existe no planeta, pessoas ainda definhem sem condições? Acho que o sistema de uso do capital está falido (Onde andará Marx?). Qual a lógica de um ser humano acumular riquezas que nem o seu tataraneto irá usar, enquanto, na mesma época de acumulação, pessoas ao seu redor morrem sem o que comer? É uma equação perversa. Depois, falando em datilografia pulei para a fome da humanidade, como a mente é ligeira! Os dedos no teclado vão deixando, no que poderia ser a folha de papel, as incongruências do pensamento.

É isso, bom domingo!