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BOINA DE CARCAMANO

CRÔNICA DO DOMINGO

BOINA DE CARCAMANO

Semana de tirar as boinas da gaveta. Guardo uma coleção de todos os tipos, tamanhos e cores. Tem um coreano, loja especializada, que sempre necessita de troco e pede as notas de R$ 2,00, mas novas, se não, as recusa de imediato. Não pensem que as arrumo por interesse, pois cada vez que levo o troco, volto com uma nova boina. Acontece que ele tem um café tipo solúvel, importado da Coreia, que me serve todas as vezes que o encontro. Atrás do pequeno balcão, ao final dos mostruários masculinos e femininos de múltiplas cores, prepara com esmero a bebida. Serve sempre uma para o convidado e outra para ele, fala um português não inteligível, que disfarço com um sorriso. Sorriso por sorriso empatamos, acontece que a cada duas palavras ele também solta o seu. Confesso que meu gosto por essa vestimenta que protege o coro daqueles que já perderam o cabelo, não adquiri por influência do amigo coreano. Antes de conhecê-lo, comprei algumas, pois gosto do estilo carcamano calabrês. Lembro-me que a primeira veio junto a um inverno rigoroso, loja de esquina na Praça Pedro Sanches, na cidade de Poços de Caldas.

Eita lugar gelado! Poços de Caldas seguramente bate Campos do Jordão nos invernos impiedosos. Também no alto da Mantiqueira, suas ruas recebem um vento que faz nariz virar picolé. Se gosto do frio? Não digo que desgosto, tem os seus atrativos. Um bom caldo, o vinho, o aconchego do lar e a interiorização. Para a gastronomia, sem dúvidas, é a melhor estação. As noites são lindíssimas, limpas, salpicadas de estrelas; mas, as temperaturas amenas me agradam bastante. Acontece que ainda aprecio o chopp ao vinho, outros pratos às sopas que engordam sobremaneira (e não consigo ficar em um único prato), a praia ao isolamento da casa. Praia com frio e vento foi feita para pinguins, mesmo sem chuva.

Mudando o fio da miada, bem que o Brasil poderia ter passado para a final da Copa. Já imaginaram que festa teríamos por todos os cantos? Churrascos, bebidas, buzinaço e a esperança em um mundo melhor. Não passou, paciência, vamos viver nosso domingo do mesmo jeito. Sei que com menos álcool e adrenalina pelo corpo, mas, como disse meu filho, não quero mais saber da seleção, pelo menos, até a Copa América.

É isso, bom domingo.