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Sob aparência de comédia divertida, peça teatral traz um ácido amargor

CRÍTICA TEATRAL

(Caio Gallucci/Divulgação)

Tarcilio de Souza Barros

   Lenita (Sandra Pêra) e Rui (Roney Facchini) levam um casamento morno e sem graça. Não se olham, não se enxergam e vivem suas vidas sem grandes paixões ou perspectivas. Ambos estão frustrados com a união, com seus planos, mas não conseguem mudar esta situação.

   Um clima de insatisfação e resignação paira sobre tudo até que um novo vizinho ocupa o apartamento em frente, e aquele mundinho insosso vem a sofrer abalos e começam os inevitáveis e incríveis conflitos. Sasha, o novo vizinho, é assumido e professor de canto. Essa ambiguidade faz de Sasha uma figura muito peculiar, que mexe com o imaginário de todos. Suas aulas de canto importunam os vizinhos, sua figura bizarra e cacoetes o tornam ambíguo aos olhares dos moradores do prédio. Entretanto quem o conhece na intimidade constata ser Sasha um homem de paz, muito refinado, educado e simpático. Não há como não simpatizar com a postura de Sasha, um hétero masculinizado, mas de movimentos femininos. Por ele é que Marilu tão violenta nas críticas endereçadas à ele por seus modos,  comportamentos e vestimentas, vem emocionalmente demonstrar um amor platônico que a leva a matá-lo, por não conseguir, ante as convenções sociais, tê-lo para si.

   Esse o Plot que vai se estender através da peça, considerada uma das mais impactantes de 2013, vencedor dos Prêmios Shell do Riode Janeiroe Fita que em percuciente análise aborda as relações humanas. 

   Sasha com sua postura liberta dos hipócritas preconceitos sociais vem iluminar as juntas enferrujadas do casal que provoca novas atitudes de convivência pessoal.

   Segundo Julia Spadaccini, autora do texto ouvida pela reportagem, disse:"Gosto de falar das relações familiares pois são fonte permanente de inspiração, por não conseguirem se libertar totalmente das exigências, limites e educação conferidas pelos pais". Disse mais sobre a intolerância, limitação – “O crossdresser é um personagem indecifrável. Conta que certa vez leu uma matéria que uma mulher descobriu que o marido era homossexual . Ela quis se separar, mas, depois voltou pra ele. Há uma falta de cuidado das pessoas no olhar o outro", avalia a autora.

   Com segura direção de Marcelo Várzea e produção de Selma Morente e Célia Forte a encenação se apresenta de categoria no atual panorama teatral brasileiro. Um elenco homogêneo com exuberante interpretação, cativa o espectador, que  tem ante si a comédia da vida, seguida dos dramas existenciais com observância dos formatos das intuições, como casamento e família, que precisam ser repensadas.    Com essas cores a encenação se mostra apaixonante.

Serviço ao leitor:

Peça teatral: A Porta da Frente

Texto: Julia Spadaccini

Direção: Marcelo Varzea

Onde: Teatro Renaissance (440 lugares)

Al. Santos, 2233 - SP

Horários: Sábados às 19 horas e Domingos às 20h

Quanto custa:Sáb. R$80 /Dom. R$70

Duração: 80 minutos

Gênero: Comédia ácida.

Esta peça obteve o Prêmio Shell 2013

Até:09 de setembro

Avaliação: Excelente