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CRÔNICA DO DOMINGO - QUASE UM “DÉJÀ VU”

CRÔNICA DO DOMINGO

QUASE UM “DÉJÀ VU”

Pronto, mais dois dias e este longo mês de julho, que fez pouco frio e nos proporcionou a derrota do escrete canarinho e a França bicampeã do mundo, se encerra. Entraremos em agosto, mês que tem seus atrativos, como o dia dos pais, puxando a sardinha, e, também, mês de cachorro louco. Não que os pais tenham alguma coisa a ver com os cachorros fora do juízo. Ouvi dizer, não credito como verdade, que os cachorros ficam desatinados em virtude de dores nos ouvidos, acarretadas pelo vento inclemente que o mês traz. Se é verdade, não aprofundei os estudos para constatar; mas, uma coisa é certa, que venta, venta!

Para relembrar a infância, não que a minha tenha sido diferente da dos leitores, logo poderei ser enfadonho, cada época do ano era marcada por um brinquedo. Os peões apareciam do nada, as rodas se formavam na escola para acompanhar as contendas em torno das celas e, como vinham, sumiam dando lugar às bolinhas de gude ou às figurinhas de algum álbum. Assim, como os carrinhos de rolimãs tinham o seu tempo, o mês de agosto era colorido pelos papagaios. Deles tenho boas recordações e a mais importante, sem dúvidas, é a de meu pai, junto aos filhos, preparando um maranhão, sua especialidade, que voava fácil tocado por vento leve. Lembro-me, na tenra idade, morando no Bairro da Fonte Platina em Águas da Prata, de, sentado sobre a mesa da cozinha, observá-lo na confecção dos brinquedos de agosto.

Depois, o pensamento voa para a época da escola e, como todo o ser normal, às vezes, matava aulas para ir ao Cristo Redentor disputar com outros não bons exemplos de alunos, quem era o melhor (excetuando-se a matemática e a gramática) na arte de empinar as frágeis construções em varetas, linhas e papel de seda. E quantas crianças choraram pelos traiçoeiros inimigos! Era comum ver esqueletos grudados nos fios, na copa das árvores ou à deriva pelo céu com a linha arrebentada. Triste, mito triste ficar com o carretel na mão e parte de um rolo de linha que não se achava com facilidade. Não vou entrar na maldade e relembrar daqueles que usavam linha de cerol, em disputa no céu, para derrubar o imaginário oponente. Não era do feitio da minha meninice.

Poderia, já que se inicia o mês, pensar em reunir a molecada e fazer uma competição de pipas e papagaios. Outro dia, na Boca do Leão, um ilustre morador da cidade deu-me a ideia (para que transmitisse aos proprietários) de construir no local uma pista de rolimã. Contou que vira em uma cidade europeia e era um sucesso, principalmente entre os da terceira idade.

Precisamos entender os motivos desse “déja vu” da terceira idade! Vivemos a relembrar os bons momentos, principalmente da pré-adolescência, pois os da adolescência, com o passar dos anos, ganha em qualidade, mas diminui em intensidade.

É isso, bom domingo.