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OSESP retorna à Sala São Paulo exibindo inesquecível musical

MÚSICA ERUDITA

Tarcilio de Souza Barros

   Em memorável Concerto musical OSESP retornou à elegante sala São Paulo apresentando uma performance com densidade orquestral de alto nível. Regida por David Robertson, Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica de Sidney, e como solista de piano o internacionalmente Pierre-Laurent Aimard reputado como um dos melhores pianistas de atualidade mostrou impecável sensibilidade.

Laurent estudou no Conservatório de Paris com Yvonne Loriod (esposa de Messiaen.    Iniciou a performance Sinfonias para Sopros de Igor Stravinsky (1882-1971), uma peça de câmara em único movimento escrita em memória de Claude Debussy. Com ritual severo em alternâncias de litanias homogêneas. Desprovida de sentimentos, rigorosa envolta em religiosidade. Linhas sinuosas, dissonâncias continuas à fazem implacável ante pressentir-se a liturgia eslava. Seguiu o programa a exibição ao piano de Pierre-Laurent Aimard que executou acompanhado de orquestra o Dueto para Piano e Orquestra de George Benjamin (1960) que foi discípulo de Messiaen. No Dueto o elemento principal é a oposição entre o solo e o tutti por coordenar acordes de harpa com as interferências dos sopros e da percussão.

   Dueto para Piano e Orquestra de George Benjamin exige capacidade técnicas do pianista com equivalência na Orquestra. O pianista pode superar mais de sete oitavas com mais facilidades acumulando harmonias contando mais de dezenas de notas. O timbre do piano se mostrou equivalente à da sonoridade orquestral no esplendor de texturas musicais.

   No que tange ao Concerto para Mão Esquerda, de Maurice Ravel (1875-1918) de impecável colorido o pianista está precisando sempre recriar, com uma mão só, é um Concerto de escrita muito interessante, uma obra bastante forte, extremamente bem pensada em termos de estrutura, de orquestração, única quando se fala da execução do solista com uma mão só. O pianista está sozinho contra àquela massa sonora, mas Pierre-Laurent Aimard superou com habilidade o desafio. Paul Wittgenstein (1887-1961) irmão do filósofo Ludwig Wittgenstein (1889-1951), pianista, perdeu o braço direito na 1a. Guerra mundial, e para não desistir de tocar piano solicitou à vários compositores que produzissem uma peça musical para ele, Na busca infundada, surgiu o compositor francês Maurice Ravel que criou este Concerto em que o desafio do solista ao compositor resulta numa página musical sedutora. 

   Jeux do compositor francês Claude Debussy  (1862-1918) é talvez o score que mais influenciou os compositores pós-Debussy integrando nova influência às composições musicais. Jeux é muito difícil para ser conduzida convincentemente por ser permeada de cromatismos, mudanças de andamento e métrica, envolta em delicada harmonia, vaporosa e de sutil suavidade. Sua sedução elegante cativa o ouvinte pondo-o extasiado.

   Ao final da apresentação seguiu uma longa ovação e palmas do público solicitando bis ante performance inigualável da OSESP, de uma dinâmica regência de David Robertson, e do consagrado pianista Pierre-Laurent Aimard.

 

Serviço:

OSESP - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Concerto realizado na sala São Paulo

Sob auspícios da Fundação OSESP.

Avaliação: Excelente