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DIA DOS PAIS

CRÔNICA DO DOMINGO

Como tudo no mundo tem um dia, hoje é o nosso. Bem que, me parece, a profissão está meio perdida. Acontece que antigamente o pai tinha o papel bem definido. Era aquele que supria o lar financeiramente, tinha seu lugar à cabeceira da mesa, ninguém contrariava quando, no calor da discussão, dava o veredito. Depois, as mulheres foram galgando espaços que eram só nossos e decidiram que além de mães e donas insubstituíveis do lar, também poderiam ajudar e pensar na independência financeira e de controladoria. Pois bem, perdemos o posto que nos era por direito milenar. Como vivíamos na rua, conversa aqui, conversa ali, detínhamos todo o conhecimento do que devia ou não entrar pela porta. Os rádios se avolumaram, as televisões pegaram os lugares nobres das salas e a internet acabou definitivamente com o monopólio da informação e do conhecimento. Para dar uma resposta adequada, resolvemos, erro terrível, invadir o território feminino e dos filhos. Fomos ajudar na cozinha, um desastre, pelo menos no meu caso. Não sei lavar um prato. Se alguns dominam a arte de cozinhar, o meu ovo frito vem cheio de defeitos. Paciência! Arrumar a casa, só quando a minha mãe mandava na infância. Hoje, tento arrumar o quarto, mas nunca consigo deixar o lençol e a colcha em harmonia e sem as ranhuras de norte a sul.

As coisas não param por aí. São milhares de domicílios pelo país que têm as mães como cabeças. Por onde andarão os pais? Sei que muitos abandonaram o conforto do lar e moram esquecidos pelas ruas. Talvez, disse talvez, inconscientemente os pais perderam a magia e não conseguiram se reenquadrar no novo papel. Dia desses, assisti a um filme em que o homem ficava em casa cuidando das crianças e dos afazeres domésticos, enquanto a mulher ia à guerra diária para trazer o pão de cada dia. Não sei, não.

Talvez, pela ótica financeira, seria interessante um curso de reinclusão do pai na vida familiar moderna. Poderia ter milhares de matrículados. #fica a dica! As matérias iriam desde a troca de fraldas, preparar um delicioso jantar, saber entender que as vozes sob o mesmo teto têm o mesmo peso, desde a tenra idade ao mais idoso dos moradores; aprender que, embora esteja à cabeceira da mesa, ela não é o trono de um império absolutista. Isso tudo, com um acompanhamento psicológico rigoroso, claro, para as terríveis crises existenciais. Depois, quando a formatura chegar, com toda a família reunida, a descoberta de um novo papel, que não é nada diferente do anterior, mas sob novas perspectivas. Saberemos que os pais têm muitos pontos fortes, assim como defeitos e fraquezas e que a família vem apenas para complementar o que já é bom e vedar de forma indelével o que não pode existir. Saberemos que o mundo é uma comunhão de pessoas e ideias e a solidão patriarcal perdeu-se em algum momento no passado.

É isso, Feliz dia dos País!