Ter10272020

Last update06:50:14 PM

 

Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Artigos MÉDICOS

Artigos

MÉDICOS

CRÔNICA DO DOMINGO

Tem gente que gosta de ir a médicos, hospitais, clínicas, fazer exames disso, daquilo e daquilo outro. Eu não. Passo longe e detesto ficar sentando esperando, em qualquer lugar, a minha vez, inclusive em uma antessala médica. Faço exames de rotina, todos fazem, no meu caso para evitar problemas cardíacos pelo colesterol elevado e a ferritina alterada, herança de muitas gerações. Assim procedo. Procuro um cardiologista na extensa lista que São Paulo nos oferece, marco a consulta, compareço no dia e hora, pontualmente, como (quase) bom mineiro que sou, e respondo todas as perguntas, até conseguir os pedidos de exames. A primeira é clássica: “O que te traz aqui?” Explico todo o histórico familiar e a necessidade de fazer um check-up. Com o pedido em mãos, dirijo-me a um dos bons e grandes laboratórios disponíveis, submeto-me à bateria recomendada e fico no aguardo dos resultados. Sou da época em que era proibido ao paciente abrir os exames. Hoje não, pego pela internet, analiso cada item, estando tudo dentro do normal nem no retorno ao médico para levá-los me dou ao trabalho.

Assim foi com a ferritina alterada. O médico hematologista mandou-me fazer quatro seções de sangria que completei no espaço de trinta dias, uma por semana, descartando dois litros do meu precioso sangue e, ao final, fiz os exames e constatei a normalidade de ferro no organismo. Nunca mais vi a cara do médico. Nem cartão de Natal mandei! O mesmo ocorreu com o último cardiologista. Primeiro procurei por bairro, fácil acesso e perto de casa. Encontrei na Bela Vista, próximo à 9 de julho e à FGV. Pois bem, a secretária que antecipadamente julgava nova, sorrisos largos, calças brancas, justas, deixando saliente alguma minúscula lingerie, talvez estudante fazendo bico para terminar a faculdade, surpreendeu-me. Era simpática, confesso, mas septuagenária. Procedimento padrão, fez a ficha com meus dados básicos e solicitou que aguardasse. Como estava só, não entendi o motivo da espera, mas comportei-me. Quando autorizado a entrar, atendeu-me o cardiologista que, pela aparência, era uns vinte anos mais velho do que a recepcionista. O medidor de pressão e outros aparatos do consultório, embora com serventia, representava bem meados do século passado. Contei-lhe minha história, elogiou por ter parado de fumar e pelas atividades físicas, prescreveu os exames e pediu para que, assim que ficassem prontos, retornasse. Segui meu modelo padrão e quando ficaram prontos, não constatando nenhuma anomalia, não voltei.

Agora, é época de novos exames. Vou correr o dedo pela lista e escolher um novo cardiologista em novo bairro. Sei que meu procedimento não é correto, mas, também sei que, ao menos, o médico ou sua septuagenária secretária poderiam ligar para saber se estou bem.