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A Gênese do Amor


Átomos que se reúnem,
cansados das suas
próprias solidões.
E todo o universo surge,
de surpresa, ante
o olhar atordoado.
E a vida ganha brilho
que até há pouco
parecia inexistente.
Por um instante
tem a exata noção
de toda a sua solidão.
Visita-lhe a melancolia
e a necessidade
de congregar-se.
O velho ermitão espiritual
quer ser criança novamente.
A tristeza se enjoou
da sua amargura,
quer ser alegria.
A mente pulsa
com a força da criação,
a criatura desperta.
E a fúria converte-se
em oração, em prece
cheia de silêncio,
Não conseguindo
conter as lágrimas
que lhe brotam na face.
Tenta vencer
a própria sensibilidade,
teme a fraqueza.
Mas, adquirindo coragem,
baixa o escudo
e fica vulnerável.
O coração blindado
está exposto.
A força está justamente
em ser fraco.
Reúne num único ser
o confronto da emoção
e da lógica.
Percebe a sólida realidade,
mas deseja asas à alma.
Sabendo das tantas limitações,
mas querendo o infinito.
Ciente das razões
da sua clausura,
mas almejando a liberdade.
Atormentado pelas culpas,
mas clamando aos céus o perdão.
Querendo se guardar em silêncio,
mas não contendo o grito.
E, desesperado,
tenta se esconder
nas suas próprias sombras,
Mas é involuntariamente
tragado pela força da luz.
E vencido estará feliz,
pois já não estará sozinho,
Pois, morto para o mundo,
terá ressuscitado
para o espírito.
E de tão perdido
por misericórdia divina,
terá sido encontrado.