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Um panorama visto da ponte em encenação inolvidável

Tarcilio de Souza Barros

   Uma das funções do teatro é provocar o intelecto do espectador, criando condições para ele relacionar o que viu com a realidade do cotidiano, podendo agir para modificá-lo.

   “Um Panorama Visto da Ponte”, texto de Arthur Miller (1915-2005), é considerado uma obra prima do teatro universal.

   O texto aborda a sociedade moderna ao mesmo tempo em que oferece uma visão crítica do modo de vida desta sociedade.

   A ação se passa em Nova Iorque  e, narrada pelo advogado Alfieri, conta a história de um casal de imigrantes italianos - Eddie Carbone, um trabalhador das docas de Brooklyn, e a dona de casa Beatrice.

   Em cena duas gerações de atores consagrados, Rodrigo Lombardi e Sérgio Mamberti interpretando um grande texto do teatro. O crítico ouviu Sérgio Mamberti que disse: "Relembro a montagem da peça no TBC em 1958. Foi um acontecimento, um marco histórico no teatro, sucesso em São Paulo e no Riode Janeiro. Sempre tive a convicção de que precisávamos remontá-la". 

   Observando o teatro de Miller percebemos ser possível mergulhar nas experiências históricas e coletivas do passado. Suas peças são dessa lavra - falam de nossas paixões, das delicadas questões de imigração, da pulsão de amor e morte que já foi o motor do teatro em inúmeras épocas da História.

   Ponto crucial dessa peça é o sentimento do ciúme brutal que leva o homem loucura. Historicamente observamos que em 1951 foi rodado em Hollywood com produção da Warner Bros o clássico filme A Street Car Named Desire (Uma Rua Chamada Pecado) que tinha na direção o grego Elia Kazan.

   Com roteiro do celebre dramaturgo Tennessee William descrevia a relação de Blanche DuBois (Vivien Leigh) que pela atuação nesta película ganhou um Oscar, sendo em seguida considerada a melhor atriz do cinema de Hollywood.

   Vemos o ciúme brutal de Stanley Kovalski (Marlon Brando) contra a terna Blanche DuBois; em Um Panorama Visto da Ponte o personagem Eddie (Rodrigo Lombardi) nutre por sua filha adotiva Catherine (Gabrieli Poyte) o ciúme doentio. Estes dois personagens cada um nos seus papéis variáveis retratam a crueldade expressa em sentimentos e emoções o que se passa na mente humana.

   O diretor Zé Henrique de Paula perguntado pelo repórter sobre seu trabalho afirmoutersido um privilégio transformar o palco numa arena para as idéias tão brilhantemente urdidas por Miller, colocando as palavras em primeiro plano, e dando forma a uma história que se passa nas docas de Nova Iorque em meados do século XX na função de um drama passível de preocupações, esperanças e anseios que envolvem o ser humano.

   Rodrigo Lombardi (Eddie Carbone) e Sérgio Mamberti (Alfieri) em antológica interpretação, sustentados por um elenco homogêneo onde predomina direção segura, dramático gestual, dicção perfeita, marcação cênica impecável, compondo uma rara encenação teatral.

   Cenário de Bruno Anselmo por sinal colocando a escada no fundo do setting lembra a mesma escada que vemos no cenário do filme de Elia Kazan, figurinos de autoria de Zé Henrique de Paula, e incidental iluminação de Fran Barros tem a função de sustentar a dramaticidade do texto.

Serviço:

Um Panorama Visto da Ponte

Texto: Arthur Miller

Direção: Zé Henrique de Paula

Onde: Teatro Raul Cortez - Fecomércio (513 lugares)

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista

Quais os dias:Sextaàs 21,30 horas/Sáb. 21h/Dom.18h.

Quanto: R$80

Estacionamento: R$23

Duração: 100 minutos

Gênero: Drama

Realização: Geradora Teatral e Mamberti Produções.

Assessoria de Imprensa: Morente Forte.

Temporada até25 de Novembro.

Avaliação: Excelente