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BARBA, PRA QUE (NÃO) TE QUERO

O Paulo Coelho sem cavanhaque, o Roberto Carlos de barba, o Sigmund Freud imberbe e com rosto de bumbum de neném. De adorno facultativo, a barba (ou a sua falta) não tem nada: ela compõe a personalidade de maneira marcante.

Mas dá trabalho. E difícil é saber o que é mais cansativo – manter o rosto liso ou a barba no esquadro e na altura desejada. Felizmente, soluções redentoras estão chegando ao mercado.

Uma delas é um preparado que entope os folículos pilosos, impedindo o crescimento de pelos. O processo é irreversível. Nunca mais o sujeito que fizer essa laqueadura capilar verá nascer uma penugem que seja no seu rosto. Tudo muito prático, rápido e definitivo, poupando preciosos minutos diários aos não-lenhadores.

Já o tônico batizado de “Parejá” no nordeste, e exportado como “StopNow” para 19 países, promete efeito ainda mais revolucionário. Uma vez aparada a barba na altura e com os contornos bem definidos, o camarada besunta a fórmula no rosto como se fosse uma loção. Pronto. O que está ali assim ficará até o final dos tempos, sem branquear nem exigir tosa futura. Foram décadas de pesquisas com caucasianos, afrodescendentes e asiáticos, de barbas espessas e ralas, em tons brancos, grisalhos, castanhos ou amarelados pela velhice. O resultado foi o mesmo – independente de etnia, dieta alimentar, dosagem hormonal ou herança genética. Comprovadamente, a barba ficava para sempre ao gosto do freguês.

Como não poderia deixar de ser, os dois tônicos milagrosos foram comprados e patenteados por poderoso grupo multinacional. O fato inusitado, nessa história toda, é que parte dos acionistas da empresa estuda com carinho a possibilidade de retirar do mercado as duas minas de ouro. Isso porque há uma proposta trilionária, oferecida pela Gillete, que literalmente irá cortar pela raíz o sucesso crescente dos produtos, dando sumiço nas duas fórmulas.

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Este texto é obra de ficção.

Imagem: fontedasaude.org