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ELEIÇÕES

O domingo tende a ser enfadonho. Muitos podem dizer: “Poxa Fernando, é o ápice da democracia!” Não muda minha percepção. Para vocês terem uma ideia, nem me lembro de um fato corriqueiro que mereça ser narrado. O que posso dizer, e que não tem lá sua importância, é que foi a Justiça Eleitoral o patrão que mais rápido me promoveu. De suplente em uma eleição, quando ainda garoto em Águas da Prata, para chefe de seção na eleição seguinte. Trabalho, alias, que fiz das tripas ao coração para me livrar. Tomava o lugar de quem gostava. Exato, tem quem gosta! Alguns acham o máximo ter as insígnias da justiça grudadas no peito. Zanzam imponentes pelos corredores entre os diversos pontos de votação, ajudam um aqui, conversam com outro ali, beijam um conhecido, um amigo, um candidato e o dia passa em glória.

Hoje não temos nem o glamour de acompanharmos a contagem de votos manuais que davam os boletins com frequência metódica. Conectam-se os aparelhos, aperta-se um botão e “vapt”, temos o resultado instantâneo, frio, sem tensão, sem chance para o quase gol, como ocorre no futebol. Vamos ver se consigo entrar na fila de votação logo de manhãzinha. Se o faço na minha querida Águas da Prata, tenho que voltar para São Paulo a tempo de meus filhos gozarem o direito de escolher seus representantes.

Bem que a coisa está terrível dessa vez. A briga não ficou a favor do PT, ou a favor do PSL, com cada qual apresentando suas propostas. A briga agora é dos antipetistas contra os antibolsonaristas, ou vice e versa. Sem contar que temos os governadores, deputados e senadores. Levar uma colinha é obrigatório, se não, nos perderemos pelo caminho.

Bom, já que falei em se perder pelo caminho. Hoje é dia de profunda reflexão. Nosso país é presidencialista e sabemos que cultua a força de um homem acima das instituições. É justamente aí que mora o perigo. Gostamos de transferir para uma mão forte a obrigação que nos cabe de participar efetivamente do processo democrático. Às vezes, ou muita das vezes, as coisas falham, a transferência sai torta e o país enviesa por trilhas impróprias. Temos que ter em mente que a liberdade e a democracia é o bem maior a ser preservado. Podem dizer em alto e bom som que o perigo não existe, mas vamos fazer um exercício. Nas diversas manifestações de ruas no Brasil ocorridas nos últimos anos, qual a postura que teria seu candidato frente a elas se estivesse no comando do Brasil?

É isso, bom domingo!