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SEMÁFORO E CEMITÉRIO

CRÔNICA DO DOMINGO

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Para afirmar que o feriado prolongado chegou ao fim, resta, ainda, todo o domingo. Finados se foi como todos os Finados, quieto e introspectivo. Aproveitei para, logo de manhã, correr os meus dez quilômetros e, depois da água e do banho, ir ao cemitério, em São João, para cultuar a memória de meus entes queridos já que a alma certamente está junta de Deus.

E por falar em cemitério, a minha querida cidade não tem. Tirando o de São Roque da Fartura, mas dedicado aos moradores da região, todos os filhos são levados a sepultamento em São João da Boa Vista. Esse fato me faz lembrar a lendária figura criada pelo genial Dias Gomes, Odorico Paraguaçu, em O BEM AMADO. Com a trilha musical de Vinícius, o enredo é instigante e conta a história de um prefeito que investe na construção do cemitério na cidade e, no entanto, não consegue inaugurá-lo, pela falta de um cadáver. Para resolver o problema, contrata um matador.

Outra coisa que a estância precisa, é de um semáforo. Como pode uma cidade sem um único sinal de trânsito que, incontinente, pare quem vem de lá para dar passagem aos de cá e, também, auxilie os pedestres em disparada. Sem dizer que poderia ajudar o trem que embala ao descer a Mantiqueira e traciona na subida, passando pela cidade fazendo-se presente, não só pelo motor que espalha a potência em som ritmado, mas com o apito estridente. Precisamos urgentemente de um cemitério e de um semáforo.

Sei que para o sinaleiro muitos se farão presentes para a inauguração. Faríamos uma grande festa com foguetório, carrinhos de pipocas e discursos inflamados. O aluguel de barracas, para proteger das intempéries, é imprescindível. O carro do prefeito seria o primeiro a atravessar, depois da luz verde acesa pelo presidente da Câmara, que também descerraria a faixa azul e branca. O povo alucinado gritaria, viva! Quanto ao cemitério, a inauguração seria comedida, como pede o local. Todos de negro, sem foguetórios ou pipocas, apenas as flores adequadas. O discurso moderado faria referências àqueles que o solo pratense negou abrigo no descanso eterno. Poder-se-ia até, em arroubos de dor, oferecer aos familiares o traslado dos restos mortais para a nova morada. Quanto ao defunto para a inauguração, só Deus sabe quem poderia ser, mas, os maledicentes de plantão, aposto que já têm os nomes na ponta da língua.

Eu não, hein!

É isso, bom domingo!