Ter12112018

Last update02:24:44 PM

 


Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Artigos LOTERIAS

Artigos

LOTERIAS

CRÔNICA DO DOMINGO

LOTERIAS

De repente, a Mega-Sena vai acumulando, acumulando, concurso após concurso, e a bolada de quase setenta milhões sai para um único sortudo da cidade de Indaiatuba. Geralmente os felizardos vêm de cidades que mal conhecemos ou ouvimos falar. Mas, desta vez, foi do local onde passei três anos e meio e tive a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas. Mandei algumas mensagens para auscultar a possibilidade de ter sido uma delas. Não, pelas respostas creio que não. Bem que, não falariam, certamente guardariam segredo, era o que eu faria casa fosse abençoado pelos olhares benéficos das divindades que cuidam das loterias e das sortes das pessoas incautas. Incluo-me.

Jogo sempre, não posso dizer que sou de tudo pé frio. Quando trabalhava em Poços de Caldas, quase fiquei rico. Acertei a quadra da quina, deu um bom dinheiro, mas acho que os jogos já o tomaram de volta. Continuo insistindo, tem uma numeração que repito todas as semanas, perdendo a conta dos anos. Agora, se não jogo, fico com a consciência pesada, aquele medo de que, justo no dia em que deixar de jogar, a sequência mágica sairá dos globos metálicos da Caixa. Dia desses, em uma lotérica do Brás, a atendente, sempre simpática, quis convencer-me a levar um bolão da Quina. Relutei e escolhi a Mega-Sena, paguei com aperto no coração. Correu pela minha mente, num átimo, que pudesse dar justamente o jogo que ela ofereceu. Quando foi me entregar o troco, sobrou o valor do bolão. Vi o sinal dos homens abençoados. Pedi para ela cobrar o bolão da quina. Perdi no bolão da sena, mas no da quina, perdi também. Fiquei sem o dinheiro, mas com a certeza de que a sorte vai mudar.

Na Mooca, porta da padaria Monte Líbano, onde se vende os melhores quitutes, mas a preços não convidativos, fica um desses senhores oferecendo jogos prontos. Só me aproximar e ele vem com o anúncio: “Bilhete da Mega-Sena, acumulada!” Já fico imaginando a notícia correndo o bairro: “O sortudo da semana, comprou o bilhete na frente da padaria Monte Líbano!” Não resisto e compro. Depois, fiquei a pensar que, se ganhasse com o bilhete oferecido pelo homem, deveria ter espetacular sorte. Olhem, além de acertar as seis dezenas, teria que pegar o bilhete certo no monte que ele me oferece. Não compro mais, entro na padaria sem olhar para os lados e finjo não percebê-lo.

Podia comprar apenas para ajudar um trabalhador defendendo o seu, mas nas manhãs em que vou à Monte Líbano, sempre trago um pão para o porteiro. Ele agradece, dizendo: “O senhor é uma pessoa muito boa, em dezembro o seu está reservado!” Pode ser outro sinal, logo, continuo na minha saga das dezenas (sem trocadilho).

É isso, bom domingo!