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TÉCNICAS INFALÍVEIS DE EMAGRECIMENTO

A primeira técnica é facílima: o lábio inferior e o superior devem se encontrar e manter permanente contato ao longo do dia, de tal maneira que a língua e os dentes estejam por eles encobertos – impedindo, assim, a prática mastigatória.

Já são dezenas de milhares de médicos brasileiros que defendem a prática, por motivos elementares. Sustentam eles que manter os lábios encostados um ao outro implica em gasto calórico mínimo, inibindo a fome. Em contraposição, o movimento muscular que o indivíduo faz para separá-los ao abrir a boca, acrescido ao esforço ósseo-articulatório de contração e expansão mandibular, resulta em cansaço e posteriormente em aumento de apetite – o que acarreta em mais ingestão de comida.

Em consequência da inércia a ser observada pelo obeso que segue essa orientação, pode-se afirmar com toda certeza que não é preciso fazer NADA para emagrecer. Rigorosamente nada, e quanto mais nada se fizer, mais o emagrecimento engordará os resultados. Ainda que essa constatação possa parecer paradoxal.

Todavia, como em tudo na vida, a fórmula revolucionária encontra opositores ferrenhos na mesma medida em que arrebanha entusiastas. Argumentam os primeiros que, se as coisas fossem simples assim – ou seja, que para emagrecer basta que não se coma nada – médicos endocrinologistas já estariam milionários na prescrição do método a seus pacientes.

Mas há outras novidades no horizonte. A dieta do carboidrato fatiado chega para bombar o já bilionário mercado das academias e clínicas de estética. Sua premissa é simples e a execução descomplicada. Sendo o carboidrato em geral constituído por carbono, hidrogênio e oxigênio, descobriu-se em pesquisas laboratoriais que é a ingestão simultânea desses compostos que causa o ganho de peso. Já o consumo isolado dos mesmos não acarretaria prejuízo algum à silhueta. Vai daí que a pessoa pode se fartar de sanduíche de carbono, oxigênio ao molho 4 queijos ou mesmo sucessivas empadas de hidrogênio que nenhum efeito engordativo se notará.

Há no entanto a salientar que o termo “fatiamento”, aqui utilizado, se refere à ingestão em separado de cada um desses elementos, e não aos mesmos servidos em fatias numa mesma refeição (que causaria, fatalmente, o indesejado ganho de peso).

Uma outra corrente médica levanta a hipótese de que ingerir alimentos é uma atividade primitiva, a ser naturalmente banida dos nossos hábitos pela lei do uso e do desuso. Dizem seus postulantes que, assim como podemos extrair a vitamina D que necessitamos com dez ou quinze minutos diários de exposição ao sol, todos os demais nutrientes de que precisamos estão espalhados por aí, à nossa disposição sem que tenhamos necessidade de buscá-los, processá-los, mastigá-los, digeri-los e devolvê-los à natureza em forma de urina e fezes. Num futuro muito próximo, bastaria que botássemos o rosto para fora da janela de casa para que minúsculos sensores colocados atrás dos lóbulos da orelha se encarregassem de captar, em segundos, energia de sobra a um dia inteiro de trabalhos forçados na Sibéria.

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