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POR QUEM OS SINOS DOBRAM?

Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem, que eu sei que você pode mais

Raul Seixas

 

Ouve-se, quando ainda é silêncio na madrugadinha da XXV de Março, os sinos marcarem as horas em badaladas ritmadas vindas do Mosteiro de São Bento. A belíssima basílica em homenagem a Nossa Senhora da Assunção, com o interior em madeira de lei entalhada, proíbe fotos e filmagens. Não me perguntem o motivo. Acredito, sem forçar o pensamento, que foi a única que conheci a proceder assim. Lá permanece o segurança admoestando um aqui, outro ali, mais um acolá, de forma severa, sobre a impossibilidade de quebrarem a regra. Paciência, guardamos a imagem na memória.

Geralmente, os museus assim procedem para salvaguardar as obras. Em muitos casos, os flashes das máquinas agridem os trabalhos; outros, permitem fotos sem as luzes e assim por diante. Mas, na época do mundo na palma da mão, proibir-nos de registrar e jogar nas redes sociais a última beleza que nossos olhos alcançaram, fazendo-se o devido check-in, nos frustra. Paciência! Confesso que sou digital, gosto de um bom aparelho com velocidade adequada, uso para todos os fins, iniciando pelas simples mensagens, grupos de trabalhos, despertador com medição da qualidade do sono, até as sérias atividades financeiras que requerem senhas, identificações faciais ou digitais.

E por falar em mundo digital, nosso todo poderoso Ministro da Justiça Sérgio Moro, foi flagrado em conversas não republicanas com os acusadores da operação Lava Jato. Que coisa feia, hein? Lembro-me que escândalos assim, antigamente, só aconteciam se descoberta uma carta enviada, um bilhete esquecido na gaveta ou, até mesmo (vi em um filme) quando, das cinzas no lixo, conseguiam recuperar o teor da mensagem. No caso de Don Adams, no papel de Maxwell Smart, o agente 86, o bilhete se incendiava assim que era lido e na série Missão Impossível, se autodestruía em 5 segundos. Mas, no caso do (ex) super-homem, ficou o rastro digital para empalidecer a figura até então existente. Em nenhuma situação os fins justificam os meios. Faltou ética. Confesso que não gosto quando homens feitos de carne e osso se colocam acima do bem e do mal.

Mas, vamos tocar em frente. Nossas vidas não irão melhorar por causa do ocorrido, nem os sinos deixarão de dobrar no Mosteiro de São Bento sempre a nos lembrar que nunca dominaremos totalmente um assunto, nem conheceremos em seu âmago a natureza humana diante do poder, mesmo que pratiquemos em introspecção cantos gregorianos.