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O treino para o jogo agressivo do Santos. Eis a lição!


O Santos de Jorge Sampaoli tem deixado várias lições. O atual líder do Campeonato Brasileiro não chegou a esse posto por acaso. Continuo apontando que a equipe santista não é a favorita para levar o título nacional. Só que tão importante quanto o resultado é o processo. Por mais contraditório que possa parecer isso, pelo viés resultadista da nossa cultura, o Peixe já quebrou paradigmas. Mesmo sem (e se não) ganhar nada.

Não vou me ater aqui a mentalidade ofensiva do Santos de Sampaoli. Isso já está claro desde os primeiros passos dele em solo brasileiro. É verdade que muita gente não entendeu no começo do ano, por exemplo, porque Vanderlei não era o goleiro ideal para o treinador argentino.Hoje, porém, ninguém contesta Everson, e suas saídas com os pés. Ou então as declarações dos atletas santistas estranhando o tal do 'amor pelo balón'. O futebol brasileiro não é sinônimo de futebol arte?! Pela reação dos jogadores santistas fazia tempo que um técnico não pedia para eles gostarem detera posse de bola.

Já evoluindo também dahojerasa discussão de alguns aqui no Brasil de que a posse pela posse não quer dizer nada, no Santos ela é meio para um fim maior que é dominar os adversários. E aí chego no ponto crucial desse texto: treinar, condicionar e preparar os jogadores técnica, tática, física e emocionalmente para esse tipo de jogo. Eis a grande diferença de Sampaoli para os demais.

Não assisto treinos. Até porque a maioria das atividades é fechada para a imprensa. Mas vejo todos os jogos do Santos. E ali está uma equipe bem treinada. Jogadores que sabem exatamente o que fazer em todas as fases do jogo - com e sem a bola. Sampaoli é inquieto a beira do campo, mas seus atletas cumprem as respectivas funções não por conta dos berros - até porque creio que a maioria nem entende o espanhol dele. Os atletas executam os seus movimentos porque estão condicionados para isso. E quanto mais elaborado é o conceito de jogo de uma equipe, mais as habilidades requeridas transcendem as técnicas e táticas e vão também para as cognitivas e mentais. Por exemplo, para construir um padrão agressivo é necessário concentração o tempo todo. E de uma maneira geral os atletas aqui no Brasil se acostumaram a dar o famoso 'migué' no treino. Logo, se não está treinado não é comportamento. Dessa forma, não aparecerá no jogo. Não existe mágica!

Não quero aqui ficar exaltando Sampaoli, até porque reconheço que ele é dasegundaou até da terceira prateleira dos técnicos mundiais. Mas espero com o maior entusiasmo que esse legado de que treino é jogo e jogo é treino que ele está deixando se perpetue aqui no Brasil. Quem sabe assim quando colocarmos frente a frente um jogo do Campeonato Brasileiro com um da Champios League não tenhamos mais a impressão de que a nossa partida está com a tecla da velocidade apertada no mais lento.