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QUITUTES À TARDE

Sentado em minha mesa de trabalho na XXV de Março, olhando pelo vidro as pessoas no vaivém da rua entre cotoveladas, empurrões, carrinhos sobre os pés, gritos, corre-corre e alegria, finalzinho de tarde, com aquela fome batendo no estômago vazio, imaginei o que comer quando chegasse em casa. Pedi à Luciane que não fizesse sopa. Sentenciei que a danada é a culpada por não conseguir perder peso. Acontece que não resisto às delícias que ela prepara com ou sem macarrão, com ou sem batata, com ou sem folhas verdes. Pensei: “Assim que sair do trabalho, passo na padaria Jupan, compro algo leve e pronto.” Pela minha mente passou um “big” enrolado de presunto e queijo, levado ao forno, que deixam sobre o balcão de atendimento, bem à frente dos olhos e ao alcance do nariz. Deu-me água na boca! Decidi mandar uma mensagem para a Luciane.

- O que você acha de eu passar na padaria e pegar alguma coisa para comer?

- É bom! Mas não pega aquele de presunto e queijo!

Pronto, a minha decepção foi total. Argumentou que é muito grande, que depois sobra tudo, que ninguém come, etc. Não contra-arrazoei, não deu tempo. Emendou pedindo para que comprasse dois pães, um pouco de mortadela Ceratti e um docinho recheado com goiabada. “Doce você não pode”, afirmei sentindo a batalha perdida. “Só um pouquinho – emendou. Estou com vontade.”

Hora de ir. Ganhei a rua junto aos transeuntes e carros, comércio ainda agitado, recusei várias ofertas dos ambulantes, subi a Ladeira Porto Geral, cheguei ao estacionamento, peguei o carro, liguei na CBN para ouvir as últimas notícias e fui em disparada rumo à Mooca. O “disparada” foi por minha conta. Às seis da tarde não se conhece essa palavra em São Paulo.

Cheguei à padaria, carro estacionado de modo ilegal, olhei para o balcão de atendimento, estava lá a delícia de presunto e queijo, resisti bravamente, peguei apenas o recomendado, até que uma fornada de pães de queijo foi jogada na bandeja a minha frente. “Me vê cinco pãezinhos de queijo”, pedi com sorriso nos lábios. Antes que chegasse ao caixa, comi um quentinho e delicioso. No carro, logo que o liguei, comi mais um, restavam três. Até em casa, quatro quadras, comi mais dois. Pensei na Luciane, talvez gostasse de um pãozinho de queijo quentinho e delicioso. Fiz uma introspecção e não me lembrei de ao menos uma vez vê-la comendo a iguaria mineira (?) em casa. “Acho que ela não aprecia,” pensei comigo. No estacionamento do prédio comi o último e joguei o saquinho no lixo para não deixar vestígios. Subi o elevador feliz levando as encomendas.