Sab10192019

Last update03:32:00 PM

Copyright © 2019 Gazeta de São João. Todos os direitos reservados.
Designed by JoomlArt.com.
Joomla! é um software livre com licença GNU/GPL v2.0

 


Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Artigos O TEMPO VOA

Artigos

O TEMPO VOA

Entramos no derradeiro trimestre de 2019. Sei que o tempo corre na mesma velocidade de sempre, que a terra gira em seus movimentos rotatórios da mesma forma há milênios, mas a percepção é de que o mundo voa. Esperamos pelo amanhã e quando nos damos conta ele já é ontem. As coisas não têm mais o tempo de maturação, a expectativa em ascensão, o fato em si e o degustar de como ocorreu. Vamos ao exemplo. Tem-se uma festa para daqui “x” dias. Há algum tempo, formava-se mentalmente a imagem da festa, curtia-se com outros convidados de como seria, pensava-se nas roupas, nos galanteios e encontros. Quanto mais próximo o dia, mais as expectativas aumentavam. A festa era uma eterna curtição e, depois de acabada, demorava-se muito tempo para esquecê-la. Comentários daqui, fofocas de lá e assim ia até o próximo compromisso.

Hoje mudou. É mais ou menos assim: “Vai na festa?” “Que festa?” “A festa tal!” “Putz, tinha me esquecido. Tenho outro compromisso, mas darei uma passadinha.” “E a roupa?” “Que roupa?” “Roupa para a festa!” “Qualquer uma, quem vai notar?” E a vida se desenrola em múltiplos fatos de pouca importância. Verdade, não curtimos os acontecimentos como se fossem únicos. Vivemos o mais um, pois logo virá outro, e outro, e mais outro. Por isso, a impressão de que o dia corre, o mês voa, o ano evapora. Tudo muito rápido, pois não damos importância à maioria das coisas que acontece em nossas vidas.

Se, de repente, encontramos um amigo que não víamos há anos, o desejo, depois do rápido cumprimento, é dizer adeus com a certeza de que lhe mandará uma mensagem e marcarão outro encontro. Trocam os celulares, as mensagens começam frugais, filminhos, piadinhas, até que o amigo cai na vala dos contatos menos frequentes. De bom, só fica a certeza de que algum dia possa reencontrá-lo.

Alguns culpam os celulares, não sei. Todo o avanço tecnológico para “viralizar” (como se diz atualmente) tem que atender a uma necessidade humana. Então, são nossas necessidades humanas que pedem o celular, não são eles que nos moldam. Por isso, às vezes (com frequência) é bom pararmos e respirar fundo. Caminhar olhando ao redor é um santo remédio para nos lembrar que ainda pertencemos a este mundo.