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TRÊS PULINHOS

Juro que tinha o assunto da crônica na ponta da língua. Sabe quando damos uma pequena vacilada e já era? Foi assim. Grandes escritores sempre levam um caderninho para anotações. Assim fazia o magnífico poeta português, meu tocaio, Fernando Pessoa. Ensinava, o não menos brilhante, Drummond: “Anote quando tiver a ideia, senão, ela se vai e não volta mais.” Mas, isso é para os grandes escritores, não este cronista que tenta um texto aqui, outra ali, às vezes escorregando nas armadilhas gramaticais por displicência e preguiça.

Pois bem, só ficou a certeza de que tinha um bom tema para desenvolver nesta prosa domingueira. Mas, eis que vasculho as coisas acontecidas nas camadas recônditas do consciente e do inconsciente e nada aparece que me faça dizer: “Que bela ideia!” Paciência, o diabo fecha uma porta e Deus abre muitas janelas. Sei que o jargão não é bem assim, mas, se ficou inteligível, basta. Só sei que quando perdemos algo sentimos um aperto danado no peito. Não apenas ideias, dia desses foram os óculos. Num domingo de manhã, indo para a Casa das Rosas, onde um dia prosearei com meu primo por parte de pai, Pedro, dei falta no “danado”. Fui à banca de jornais e comprei um quebra-galho. Chegando em casa, vasculhei todos os cantos, pedi ajuda à Luciane, a Letícia veio junto, nada. Bolso dos paletós, blusas, dentro do carro, sobre as mesas, na escrivaninha de estudos, no vão do sofá, infrutífero. Mandei o carro para lavar. Talvez o aspirador potente que usam o sugasse de seu esconderijo, pensei. Não aconteceu. A Luciane disse para rezar e pedir a São Longuinho e, na hora que achasse, dar três pulinhos em agradecimento.

Os óculos estavam no vão do banco do carro, em pé, muito bem escondido. Não veio com o aspirador, mas com as minhas mãos curiosas. Rapidamente contei para a Luciane, perguntou-me se havia dado os três pulinhos, não dei. Agora, para lembrar o assunto da crônica que estava na cabeça antes de começar esta, pensei em rezar para o santo. Mas, será que teria paciência em ajudar este pobre mortal ainda em dívidas? Creio que se no céu houver algo parecido com a SERASA, meu nome fatalmente estará na lista dos maus pagadores. Achei prudente acertar a dívida anterior, antes de fazer novo pedido.

  • Longuinho ou Longinus, soldado romano, a ele foi creditado ter perfurado junto a costela de Jesus quando estava na cruz fazendo brotar sangue e água. A água respingou em seus olhos curando um problema de saúde e, principalmente, abriu-lhe a alma, convertendo-o no mesmo instante. Disse: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus!”