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TEMPO

 

Senhor do Tempo,

 Quanta graça havia em Ti,

 Quando ainda mito encantavas

 Eras passado interminável,

 Existias como presente assustador

 Eras o futuro inquietante.

 Hoje reconheço-te senil

 Temo tua perda,

 Como criança sem rumo.

 Como Ser sem Ti?

 Vejo-te indo embora,

 Figura de velho e seu cajado.

 E em Ti vai parte de mim.

 Pois de mim levaste ilusões.

 Pois de Ti deixaste fragrâncias.

 E não sei se isto é verdade,

 Mas sei que é suposta vivência,

 Se real ou imaginária?

 Pouco importa.

 Importam a chegada e a despedida,

 Pois o meio é mero desenvolvimento,

 É tanto, porém desvendado,

 Enquanto gênese e fim

 Eternos mistérios ocultos em mim.

 Nada sei, e a ignorância move-me,

 E por não ser, ergo-me das cinzas.

 Fogo incandescente da Origem,

 Alma cigana, ilusão de mim.

 Pois que pintei-me em palavras,

 Vivo em prosa e poesia,

 Ri-me em filosofia,

 Chorei em versos.

 E ao olhar ao céu,

 Não vi com os olhos,

 Mas com o pulsar do coração.