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PLANALTO CENTRAL DO BRASIL

 

Depois de um interregno de dois meses, voltei a madrugar para o trabalho. Desta vez, ao invés de sair da Mooca e ir para a região central da capital paulista, desci, dia após dia, com amanheceres claros e céus azuis, para a Baixada Santista. Havia me desacostumado com o sol escaldante e melado à beira mar. Venta muito, eu sei, mas não é o suficiente para dispensar o ar condicionado. As praias estão cheias, dando a impressão de que as férias não acabaram.

São Vicente continua com aquele mundão de gente pelas ruas, como nas regiões de comércios populares do Brás e XXV de Março. Gente se apertando, se encurralando, se esfregando, disputando espaços nas calçadas, nas ruas com os carros, nas lojas, nos restaurantes populares, nos bancos e, acima de tudo, nas favelas. Sim, existem muitas favelas na Baixada. Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e, principalmente, São Vicente. As invasões na Serra do Mar, as palafitas sobre os mangues e canais deixam à mostra as marcas de nossas enormes desigualdades sociais. Espantei-me quando as vi. Para mim, praia sempre foi sinônimo de vida boa e coisas belas. Pelo menos imaginava antes de me mudar para lá, da primeira vez, há mais de 15 anos. Talvez, um dia, conseguiremos ver o achatamento das desigualdades. Não com os ricos ficando menos ricos, mas com os pobres, menos pobres.

As coisas boas e belas não são unânimes, mas existem. Sorvete, sei que muitos conhecem o ROCHINHA, mas São Vicente tem um muito melhor, garanto. Já provei dos dois e conheço a fábrica de sorvetes KASCÃO. Maquinários de última geração, produção com asseio impecável e o sabor inigualável. Na rua Japão, nome em homenagem aos imigrantes que por ai aportaram em 1908, trazidos do outro lado do mundo pelo Kasato Maru, acham-se peixes da melhor qualidade em duas grandes distribuidoras. A pescada amarela era meu pedido favorito. Frita com cerveja gelada fica divina. Restaurantes bons e de preços aceitáveis espalham-se pela orla. Do alto da Ilha Porchat vislumbramos a mais bela foto da cidade de São Vicente, grande parte da cidade de Santos e todo o seu magnífico jardim de praia. Aí em cima, ainda, está o monumento projetado por OscarNiemeyer: o mirante pontiagudo aponta para o Planalto Central do Brasil.

Não se vê a banda e nem Carmem Miranda, como alertava Caetano Veloso durante o espetacular movimento tropicalista, reflexo do antropofágico anteriormente pensado e apresentado a nós por Oswald de Andrade. No mais, bem, no mais, praia, sol e cerveja gelada. Bye.