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“Sede”- peça teatral fala de amor, família, sentido da vida


Inédita no Brasil, “Sede” é a terceira peça do autor libanês-canadense Wajdi Mouawad montada pelo ator Felipe de Carolis. O dramaturgo nascido no Líbano em 1968, aos dez anos de idade deixou seu país natal devastado pela guerra civil e partiu para Paris com a família.

“Sede” foi minuciosamente analisada por Felipe por convicção da universalidade do teatro de Wajdi, e se associou às afamadas produtoras Selma Morente e Célia Forte para realizar a montagem através do renomado diretor e ator Zé Henrique de Paula.

O "plot" conta com humor a história de três personagens, interpretadas por Felipe de Carolis, Maria Manoela e Zé Henrique de Paula em busca de suas identidades. “Sede” se mostra em ácida crítica ao nosso modo de viver mesquinho, agressivo, predatório, levando o homem à depressão, mormente entre os jovens.

Assistindo a peça observamos um texto enigmático, misterioso, pois metáforas se sucedem, da mesma forma que nos fala da importância da arte e da beleza em nossas vidas. Aliás que seria do homem sem à arte e a estética? Viveríamos na torpe barbárie.

Para contar toda esta experiência estética de primeira grandeza se impunha um diretor de categoria aliado a um afinado elenco artístico de nível e Felipe de Carolis, Maria Manoela e Zé Henrique de Paula que sustentam a encenação no que resulta num esplêndido trabalho profissional.

No que tange aos atores, o personagem Murdoch (Felipe de Carolis), jovem dotado de físico atlético e flexibilidade, exibe em seu papel expressões dramáticas, expressando revoltas contra o sistema vigente castrador da liberdade, numa sociedade alienante. Seu papel tem preponderância na construção da narração.

A atriz Maria Manoela como Noruega faz o elo de ligação entre Murdoch e Boon (Zé Henrique de Paula) entre a aridez existencial e a grandeza do amor.

O veterano ator Zé Henrique de Paula com longa experiência de palco se expressa com equilíbrio numa peça cheia de imagens e metáforas, que se passam num cenário onde perduram sombras, recortadas por efeitos de luz incidente sobre os atores.

Grupo homogêneo na interpretação de um texto desafiante, de uma estrutura enigmática. Cada personagem expressa com excelente dicção os acontecimentos via monólogo, sem ligação com o todo, que a priori resulta na maior atenção do espectador em compreender a misteriosa e fascinante narração.

“Sede” é obra teatral que desperta incômodo por expor duramente as mazelas do ser humano; porém reconhecendo a potente importância da vida com seu curriculum de experiências estéticas, poesia, amorosidade, arte que revitalizam a alma humana. Na verdade toda obra artística que nos desafia contém em si o germe autêntico da arte consumada.

Requintada cenografia de Bruno Anselmo, incidência de luz de Fran Barros, direção musical de Fernanda Maia e figurinos de autoria de Zé Henrique de Paula sustentam a encenação.

   Evidente o empenho emocionante dos atores misturando realidade, ficção, humor, música e drama expondo pensamentos lúcidos do dramaturgo Wajdi Mouamad. Fica a convicção de ser “Sede” um trabalho brilhante, sofisticado e eivado de poesia honrando a cena brasileira; reconhecida pelo público ao final da representação através de longa ovação e contínuos aplausos valorizando o que assistiram no palco.

Serviço:

Peça teatral: Sede

Autor: Wajdi Mouawad

Direção: Zé Henrique de Paula

Onde: Sede está no Teatro Tucarena, 288 lugares

R. Monte Alegre, 1024 (entrada pela rua Bartira) - Perdizes

Hor. Sexta e Sáb. às 21h/Dom. às 18h

Qto.: Sexta R$60/Sáb. e Dom. R$ 70

Duração: 90 min. - Classificação: 16 anos - Gênero: Drama

Até: 29 de março

Avaliação: Excelente