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O AMOR NOS TEMPOS DO CORONA*

*Agradeço a Gabriel Garcia Marquez que

nos deixou, entre tantas obras, ENTRE AMIGOS.

O professor Drummond, nosso poeta maior, ensina, quanto aos jornais, que o primeiro caderno se destina a publicar o que existe de mais sórdido na política doméstica e mundial, o que há de mais negativo na economia caseira e global. O segundo caderno vem para derramar o sangue dos acontecimentos repugnantes que os criminosos proporcionam. Quando o leitor alcança o último caderno, encontra movimentos culturais, as palavras cruzadas, os quadrinhos e a criação do cronista. Sendo ele um assíduo colaborador de jornais nesse estilo literário, enfatiza que a crônica, pelo exposto, não pode carregar pesares. Vale lembrar que as escrevia para engordar os parcos ganhos como funcionário público ligado ao ministro da Educação, Gustavo Capanema.

Pois bem, as notícias ruins são como ímãs para os escritores de crônicas ávidos por um assunto que lhes renda um bom enredo. Infelizmente, muitos não resistem à tentação. Políticos e doenças estão na moda. Não que não possamos escrever sobre políticos ou doenças. Os políticos são fontes inesgotáveis de atos que nos trazem facilidades ao ofício. Vamos tomar a última reunião ministerial, quando o governo resolveu mudar a rota do navio e enfrentar a pandemia mundial. O nosso presidente colocando e tirando aquela máscara, independente da qualidade do conteúdo da fala, não pode passar em branco. Se fosse médico cirurgião, em pronto atendimento, o paciente morreria antes. Nem Mr. Bean faria melhor. A infestação do Corona, que nos causa profundas apreensões nos primeiros cadernos, não pode chegar ao último com o mesmo pesar. O leitor não resistiria a esse bombardeio. O papel da crônica é trazer uma mensagem de leveza sobre um sutil acontecimento dentro de um todo exuberante.

Falando em leveza e sutileza, que coisa bacana os italianos cantando das janelas de seus apartamentos, incubados em suas quarentenas. Creio que o primeiro vídeo que vi, foi postado pela Confreira Luiza Eluf; depois, dezenas deles pipocaram de diversas fontes.

Como um povo, que não vence enterrar seus mortos, acha forças e alegria para viver em uma nova realidade? E da Itália, pulo para a Inglaterra pensando como William Shakespeare formataria o amor de Romeu e Julieta em tempos de pandemia. Será que deixariam de se beijar, não pelo intransponível muro dos nomes, mas por eles temerem estar contaminados, arriscando, pelo prazer, levar o seu amor à morte? Será que jurariam amor eterno e se beijariam ardentemente a ponto de matar o vírus que queria se interpor?

Bom, esse é um problema para o dramaturgo inglês, não para um pobre poeta nascido na Platina. Fico em reclusão sob protestos, pois tenho, ainda, muitos recursos em andamento. Bye.