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SAUDADE DE BOTECO

 

Eita, que saudade que eu tô de um boteco! O lugar mais democrático do mundo, depois das praias. Existem por todos os cantos, de todas os jeitos, para todos os gostos. Dizer que tenho preferência por algum é bobagem. Boteco é que nem roupa, para cada ocasião tem uma apropriada. Se vai bater perna com amigos, pode ser o da esquina, onde se esmeram pela cerva gelada e uma boa vitrine com salgados. Aconselhados, também, para depois do futebol. Não se esqueçam, nos botecos desse tipo, não pode faltar a panceta pururuca, no melhor estilo mineiro, antecedendo àquela cachacinha abre alas. Se for para uma paquera, sempre tem aqueles onde as belas se juntam, nunca em menos de quatro, geralmente acompanhadas por amigos sem formarem pares. Comum aos parceiros de serviço às quintas e sextas-feiras. Estes costumam abrigar boa música. Para o namoro, porque os botecos servem para o esquenta antes dos motéis, os de meia luz, uma musiquinha ao fundo, preferencialmente Bossa Nova ou Blues, e com delicados drinques especiais. Para a família, indispensáveis os que servem belas porções, variedade de sucos e bebidas, música agitada, preferencialmente samba ou pagode. O ambiente carrega o descompromisso do viver entre quatro paredes. Por fim, mas não menos importante, existe o bar que consola os amantes. Esses nunca fecham antes das seis da manhã, recebem os apaixonados notívagos, que depois de uma noite inteira de caça infrutífera, voltam desconsolados para chorar a sua dor de cotovelo. Os proprietários e garçons desses ambientes devem ser devidamente treinados para compreender o que é a dor de um corno. Estes, também, costumam receber os restos das baladas e festas de casamento. Vulgarmente conhecidos como “último gole”.

A pandemia tem deixado muitos frequentadores em total desespero. Incluo-me. Com quem discutir futebol, religião, política, a cura para todos os males, a ida do homem para Marte? Sim, meus senhores. Precisamos ir para Marte e abrir uma avenida repleta de bares. Poderia se chamar Vila Martalena, em homenagem a nossa, que está caindo às mínguas pela falta de seu público. Só um cuidado indispensável no novo planeta. Esterilizar a nave na chegada com álcool gel e deixar a cachaça fazer a alegria da moçada!

Em tempo. Na última MP, publicada pelo PR, colocando academias e salões de belezas entre atividades essenciais, peço encarecidamente ao senhor Rodrigo Maia: “Não vete! Coloque uma vírgula e inclua os bares.” Esse é o meu jaboti!