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LOMBAR


Segunda-feira não é dia para grandes esforços. Convencido estou. Acontece que, com a famigerada PANDEMIA, os exercícios que costumeiramente fazia pelas ruas da Mooca, desapareceram. O uso da máscara é obrigatório, correr com a danada é impossível. Pensei em fazer alguns furos para, ao menos, escapar da multa de R$ 500,00 e seguir meu caminho. Jeitinho brasileiro. Enquanto não monto o esquema adequado, dentro da lei e dos bons costumes, vou fazendo exercícios caseiros. Na própria internet encontramos aos montes para iniciantes e aos que estão em plena forma. Outra estratégia, usar uma atividade do cotidiano para se alongar ou praticar um exercício. Exemplo: se vou pegar algo leve que está no chão, dobro o corpo sem flexionar os joelhos (tento) e aproveito para um alongamento. Abraço-me, já que não podemos fazê-lo com outras pessoas, várias vezes ao dia. No chuveiro, para lavar os pés, levanto-os me equilibrando em apenas uma das pernas e faço o mesmo processo na hora de enxugá-los. Pois bem, tudo caminhava divinamente até a última segunda-feira. Depois do processo no banho, ensaboar os pés equilibrando-me em uma só perna, após enxugá-los com a mesma destreza, calcei as meias utilizando-me do mesmo ritual, até que chegou a hora dos sapatos. O pé esquerdo foi maravilhosamente bem e o laço saiu com capricho. Quando levantei o pé direito, equilibrando-me no esquerdo, calcei o sapato e fui dar o laço, uma fisgada na lombar sem precedentes produziu um choque que correu as minhas costas, desceu pelas ancas atingindo a parte posterior da coxa e subiu até na base do crânio. Senti minhas vistas faltarem, segurei no portal que estava ao meu lado para não ir ao chão, soltei um belo dum puta-que-o-pariu logo às cinco e trinta da manhã. Os olhos se encheram de lágrimas e caminhei sôfrego para a cadeira. “Não acredito!”, gritei para a Luciane. “Por que não senta para pôr os sapatos?”, repreendeu- me.

Andei quase a semana toda procurando algo perdido pelo chão. Se sento não levanto, se estou em pé não quero sentar. Pensei em tomar cloroquina! Sei lá, deve servir para alguma coisa. Acabei no anti-inflamatório. Não, não fui ao médico. Sim, me automediquei. Sei que não é uma atitude louvável, mas esta lombar não é a primeira vez que me aporrinha. Gostaria de tirar uma chapa para ver como andam minhas vértebras. Acontece que a primeira vez que me lembro de tê-la machucado, era um ligeiro nadador nas cachoeiras da estância. Ao pular sob o tucho de água da Cascatinha, ela me acertou as costas. Não sei como consegui sair da água. Fiquei com a coluna travada por dias. A segunda foi em um jogo no campo da Esportiva Sanjoanense quando disputei uma bola com o goleiro adversário. Fim do campeonato para mim. E agora, com o simples gesto de calçar os sapatos. É, realmente as coisas estão muito difíceis. Bye!