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Entre o Nada e a Utopia

 

                         Na exaustão de ser, no cansaço de almejar

                      e ainda assim desejando ainda ter.

  Quantas não foram as promessas nascidas nas auroras,

             que morreram no silêncio dos crepúsculos?

               E o medo talvez já tenha crescido o suficiente

               para enfrentar a coragem, e esta envelheceu.

 

                           

        Ilusões de um paraíso perdido,

           delírios da conquista de nossas utópicas criações.

           As ruas estão vazias, como vazia está a mente,

               como vazio se encontra o coração

ainda vergado ante o niilismo.

 

As chamas quase apagadas da alma ainda querem arder,

queimar na sua totalidade, fazendo-se cinzas.

Incandescentes cinzas que, mesmo mortas,

haverão de viver pela insistência de seu calor afetivo.

 

Nem a primavera, nem o outono,

mas o inverno a se digladiar com o verão.

A fraqueza da velhice

minando a força estúpida da juventude,

e então a tempestade.

 

A fúria da natureza que não quer morrer,

mas antes sobreviver a qualquer custo.

E então a morte não ser dada por pouco,

mas perdida em meio a violenta luta.

 

Pois que se confrontam vida e morte,

utopia e niilismo, o viver futuro e o desprezo ao viver.

Pois que para os envelhecidos de alma

não bastam os fugazes prazeres do corpo.

Sonham com a transcendência de ser,

nada querem, mas ocultam tanto desejo de encontro,

que toda a fúria é insuficiente

para conquistar uma réstia de paz.

E pela paz a eterna guerra.