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PERDER UM ELEFANTE

Impressionante como as pequenas coisas, ao escapulirem da mão, pipocam pelo chão e vão parar em lugar incerto e não sabido. Esta semana foi com o meu comprimido para pressão. Tomo-o todas as madrugadas antes do desjejum. A Luciane entrou na cozinha e me encontrou atrás da porta. “O que está fazendo aí?” “Procurando meu comprimido!” “Achou?” “Achei.” Às vezes, dependendo do objeto, prefiro deixar onde está a gastar valioso tempo na sua caça. Um comprimido, numa cartela que tem tantos, e de preço aceitável, não faria diferença.

Mas, não são só os comprimidos que caem pelo chão. Certa vez perdi o minúsculo parafuso que prende a haste aos óculos. Já era, tive que substitui-lo por outro tirado de um daqueles que são vendidos em qualquer camelódromo de boa reputação. Por isso, algumas chaves de fendas são imantadas. Fiquei pensando nos profissionais que se dedicam à nobre arte de arrumar relógios. Quanto não sofrem no mister de sua profissão, com as minúsculas molinhas, engrenagens milimétricas a sumirem pelos cantos de seus ateliês. Sim, devido a especificidade da profissão, trabalham dentro de ateliês! E as alianças, então? Melhor deixá-las estrangulando os dedos do que tirá-las. Dentro de um banheiro, vão direto para a privada ou para o ralo da pia; na rua, para o bueiro. Podem ter certeza, arruma-se um problema para toda a vida. Acontece que as mulheres, nessas horas, não acreditam em acidentes. Bradam que fizemos propositalmente, que era isso que queríamos, dar um fim na aliança, pior ainda, prenunciam o fim do casamento.

Mas, têm aqueles que perdem coisas por descuido, certa traição da mente. Ouvi casos de médicos que esqueceram seus apetrechos dentro dos pacientes. “Pode fechar, enfermeira!” Depois, com a recuperação custosa, é que se descobre que pressionando o intestino está a pinça, a tesoura ou o último rolo de gaze do almoxarifado. Eu sou mestre nesses esquecimentos. Não como médico, coisas do dia a dia. “Luciane, sabe onde deixei os óculos? Luciane, você viu minha carteira? Luciane, onde está a chave do carro?” Como um ser humano pode sair de carro se não acha as chaves? Pois é, aconteceu. Depois de procurar por todos os cantos, infernizar a família na busca dentro do apartamento, resolvi descer ao estacionamento do prédio para ver se não estava no contato. Qual o meu susto ao ver que o carro havia sumido! “Roubaram!”, imaginei. No elevador, quando voltava para o apartamento, angustiado, sentindo uma leve sudorese pela têmpora, lembrei que havia levado para lavar. Que fase, hein! Bye.