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VDD SEJA DITA


Verdade seja dita: aquilo que falamos, e principalmente aquilo que escrevemos, deixou de ser o idioma português faz muito tempo.

Daqui a pouco, ter o cuidado de não maltratar em excesso a língua pátria acabará sendo um esforço inócuo, pois a ninguém trará proveito. Pior que isso: quem se atrever correrá o risco de produzir um texto incompreensível.

A culpa não é de ninguém. Sendo a língua um organismo vivo, é também mutável. E vai incorporando, pouco a pouco, expressões, gírias, influências e modificações de toda espécie, que acabam por se incorporar aos dicionários e a serem aceitas como "corretas". Se elegêssemos um texto tido hoje como magistral, ele possivelmente horrorizaria um escritor do início do século 20, por exemplo.

Fica a pergunta: quem procura escrever melhor, está de fato escrevendo para quem? Óbvia a resposta: para ele mesmo, ou quando muito para meia dúzia que ainda teimem em preservar escrúpulos semânticos, léxicos, sintáticos e morfológicos.

Mesmo dentro do chamado "internetês", onde a brutalidade linguística é impiedosa, há assassinatos inadmissíveis. Em português e, não raro, também em outros idiomas. WhatsApp, pelo menos aqui no Brasil, é mais conhecido como Zap, ou Zap-Zap. Um chute na ideia do gênio que criou este nome (jogo de palavras com a expressão "What's up?", que significa "E aí?", "O que é que há?" / "Como está?" ou algo próximo, em tradução livre. Tudo a ver com a vocação do aplicativo.

Num rápido exercício de imaginação, é de se perguntar como ficariam alguns títulos célebres da literatura brasileira e mundial, se adaptados ao novo contexto de idioma ultrajado...

É só um comecinho de lista:

A ksa dos espíritos (Isabel Allende)

Uhhhhhhhuuulisses (James Joyce)

Mobile Dick (Herman Melville)

Msg (Fernando Pessoa)

Gd sertão: veredas (Guimarães Rosa)

Se você chegou até aqui, nesta reflexão despretensiosa, já é uma exceção como leitor. Naum uma excessaum, que fique bem claro. E em bom português.

Esta é uma obra de ficção.

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