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Fragmentos de minha geração

 

Tempo de uma geração,

Sinto a brindar o tempo que passa.

Sou cada vez mais póstumo.

E isto não me faz triste ou amargo,

Pelo contrário parece me dar algum sentido.

Neste momento não comungo com a eternidade,

Mas heroicamente tento esgotar meu propósito finito.

Pois que por que haveria de querer tanto futuro?

O sentimento é que algo ígneo aquece o coração,

Aliado a uma brisa fria que alimenta a razão.

E deste confluir de frio e calor,

minha tempestade tropical,

Que após relampejar e cair em água torrencial,

Se converte numa suave chuva.

E no corpo envelhecido,

Parece despertar um velho espírito.

Quão distante posso ser de mim,

Quão próximo posso estar

do que oculto que está em mim.

Passado, presente e futuro,

Todos tão próximos, unidos num portal invisível.

E toda a loucura parece estar justamente na lucidez.

Pois que ao ver além tudo parece diminuir em sentido.

E ainda que sabendo encenar o meu roteiro,

Meu delírio ganha asas e atinge lugares distantes.

Eis que ali pareço estar em casa, mas não quero estar.

Exausto de ser, o nada parece atraente em paz.

E descubro que para atingir o Todo,

Há que ser ínfimo, e então

Brinco com dualismos dialéticos,

Para despir-me da ilusão do tempo.

E caminho por relativos que parecem reais.

E então meu ermitão

encontra seu companheiro silêncio,

E no calar, não encontro resposta,

Mas também nada pergunto.

Pois que apenas sou

E neste momento

Isto parece me bastar.