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Entrelinhas Atemporais


 

Não creio em mim,

Pois que existe uma distância insensata,

Que parece por vez ficar tão próxima.

Então todo o meu exercício de razão

Se transborda em fé, em transcendência,

Isto não gera consolação, mas dúvidas.

No entanto, ao ver-me ignorante,

Pressinto a esperança de algo saber.

É no calar da boca que a consciência ganha asas,

Altera as hierarquias e as prioridades,

E então, percebo em sendo cético é que posso crer.

Pois que crer não é alienar-se,

Mas de modo relativo pressentir saber.

Longe de verdade eternas,

Apenas busco lume momentâneo.

Longe de grandeza, busco entendimento.

Nada deprecio, mas tenho que ser humilde,

Mas quanta confusão,

No humilde se pensa existir um tolo.

A humildade é arte de resignação,

É o forte que se faz fraco,

Para se descobrir ainda mais forte.

Fantasma de mim,

Sombras de luzes.

Não existe peito para o coração que voa,

O coração liberto congrega no todo.

E todo mérito pode não trazer prêmio,

Pois que o mérito acaba por ser antes propósito.

Um semear contínuo de passos utópicos,

Pois que estes não são meramente utilitários.

Brindam com as estrelas a pontilhar o céu,

Pouco importa saber o que são exatamente.

Pois que ainda que seja bem-vindo o saber,

O encanto parece estar em comungar com o universo.