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Liberdade

 

Distante de tudo,

E estranhamente próximo de mim.

Nada a ver com ego ou arrogância,

Mas antes em sendo ínfimo ter algo de grandeza.

Nada de desprezo, nada de impaciência,

Mas antes o zelo com a própria resignação.

Em que pese a tudo parecer entender,

É num secreto ignorar que parece estar a paz.

Nem um gesto ríspido, nem um grito embargado,

Apenas um silêncio que visita a quietude do coração.

Vozes distantes, intuições perdidas, migalhas de horas,

Sempre haverá tempo para não ter tempo.

E ainda que veja graça em todo afeto sincero,

Não há como não reconhecer o domínio da estupidez.

Quantas letras já escritas, quantas palavras já ditas,

Mas é na quietude que parece estar as respostas.

Mas por que tantas respostas?

Aliás, por que tantas dúvidas?

Por que é no tormento que surge a ânsia de paz?

É preciso ser distante para estar próximo,

Pois que o caminha não é uma estrada de terra,

Mas uma trilha oculta que só encontra quem se perde.

E então brincar de estar perdido,

Apenas por ter encontrado tanto.

E então as respostas incomodam,

E as dúvidas mantém vivas as esperanças.

O passado será cada presente póstumo,

E futuro será um póstumo que está por vir.

E então brinco neste dedilhar das cordas das horas,

E as horas fingem não me ver,

E eu oculto em milésimo de minuto,

Também as esqueço,

Para ser livre do tempo.

Livre do espaço,

Livre, utopicamente, livre!