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Universo Paralelo


 

Por quantas vezes, exaurido, não almejei o meu fim?

Mas a vida que há em mim acovardou-se ante a morte!

E quão tolos são aqueles que se pensam donos do julgar.

Na solidão de cada um,

No momento sublime do nascimento,

No derradeiro momento do último suspiro,

Toda força que há na suposta alma será escrava da dor.

E o corpo ensinará os limites que a fagulha de fogo há de ter

E a maldita bendita consciência gritará em ecos,

Dirá às paredes do crânio exausto que existem promessas,

Falará de utopias que de tão santas serão ilusórias.

E ao olhar para o todo,

Tudo ainda assim parecerá pequeno demais.

Qual é a paz possível?

Apenas a do guerreiro tombado em batalha?

Na sublimação da estupidez,

Na voraz estirpe de predadores?

Calem-se, vozes, quero sossego!

A vida não é lá ou aqui,

Transcender acaba por ser algo obsoleto.

Tudo pelas quinquilharias!

Escravos dos objetos, escravos dos sentidos,

Alienados pelo nascimento.

Quantas tolices aceitam as letras?

Quantos enganos absorvem as frases?

Não mais que o umbigo de cada um,

Não mais que isto.

O olhar não consegue ir além desse limite.

E por que iria?

Pois isso não é exceção,

Mas regra gravada no espírito humano.

Tolo sou eu, tolos somos nós,

Pois foi tudo o que nosso arbítrio conseguiu criar,

A história da grande tolice humana.

Misericórdia, eis a sina dos estúpidos.

Amargura, eis a sina dos justos.

E que isto não se pense benefício,

Pois apenas são velhos estúpidos

Renascidos das gerações de víboras.

E o pecado nos move

E a virtude nos paralisa.

E entre um ato e outro,

Não é o perdão que atrai,

Pois que este é apenas pedinte da misericórdia.

Deserto de tantos dias,

Eternas efemeridades

E a revolta se cala,

Não vê graça em si.

O silêncio é mais respeitoso.

O silêncio guarda um pouco da pureza do não ser,

Pois ser exaure, ser é compulsório,

De modo que é melhor aprender.

Então há salvação pela razão?

Ria em loucura o coração,

Crie em toda sua potência.

E quando o criar será puro?

E o que é ser puro?

Que seria a pureza?

Ilusão filosófica?

Talvez sim, talvez não.

E ante a avalanche de utilidades,

Isto por acaso importa?

O silêncio é mais respeitoso.