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Mantra à Mãe Natureza

 

Toque, afeto maternal da Mãe-Natureza.

Integrado a si para integrar-se aos outros.

Mina d’água, riacho abençoado de águas serenas.

Batismo com a paz que vibra com som tranquilizador.

Abandona-se o tempo cotidiano para divagar no tempo eterno.

Hoje os sonhos são leves como ave a brincar nas correntes de vento.

Existe em meio a tudo uma música oculta no ambiente.

E o coração bate feliz acompanhando esses sons oníricos.

Mimetiza-se a ave que parece ter prazer em bater suas asas.

Onde pode chegar o corpo, que a alma não possa chegar mais longe?

O espírito não precisa de passaporte, passagem ou bagagem,

Vai sem compromisso como o fazem os aventureiros.

E ao mesmo tempo é responsável como só sabem ser os anjos.

Deixa o olhar se deliciar pelo quadro do horizonte.

Vê que mesmo onde se supõe haver limites

A alma pode encontrar o infinito.

Não deseja chorar, mas os olhos estão untados de lágrimas.

Emoção diferente, uma mistura de saudosa infância com precoce velhice.

Existe algo de puro, um quê de leveza que o faz todo despojado.

E por isso, neste momento, não se preocupa com o ter.

Está tão repleto de tudo que se sente consolado e tranquilo.

Ali encontra o gozo das virtudes da alma.

E todos os prazeres do corpo nesse instante parecem pequenos.

É um corpo alado que voa muito ao longe.

Um mesmo ser de tantas facetas,

Um mesmo espaço abrigando tantos outros.

Fantasia ou realidade? Imaginação ou simples intuição?

Sabe-se lá... e se pergunta: “por que haveria de querer saber?”.

Viver a paz presume antecipar-se ao momento futuro, e conhecê-la.

O cérebro assim fica vazio de pensamentos,

Fixa o olhar, transforma-se num tranquilo observador.

O coração agora já pulsa vadio no peito, descansa em paz.

E de repente, ao perceber que tudo isso foi possível,

Num impulso ajoelha-se e beija o solo como se fosse sagrado,

Como se fosse as suaves mãos da Mãe-Natureza.