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SIDNEI


O Natal enfim chegou. Prenúncio de que só falta mais um pouquinho para que esse ano esquisito, cheio de inesperados, acabe. Ficarão muitas dores e interrogações. Isso não quer dizer que 2021 será melhor. Estou agourento hoje, hein! Aviso. Vamos entrar em janeiro com a pandemia, que não se pauta pelas datas, a todo o vapor. As mortes voltaram a subir e os hospitais estão lotados num triste déjà vu. Não tem jeito! Se não fizermos um distanciamento social adequado o vírus vencerá! Vale lembrar que, pelas estatísticas oficiais, menos de 10 milhões de pessoas foram infectadas, ante uma população de mais de 200 milhões de brasileiros. Só esse dado já serve para assustar os incautos que pensam que o pior já passou. Repito, estou agourento.

Já disse na semana passada que irei para Águas da Prata, terrinha natal, sem trocadilho, mas não aglomerarei. Acontece que vem o pavor ao imaginar-me deitado em uma cama de hospital, sentindo os terríveis sintomas narrados por quem passou pelo calvário, quando o homem (ou a mulher) de jaleco branco sentenciar que devo ser transferido para a UTI. Ali é o tubo e a indubitável realidade dos estertores da morte. Então, corro para fazer certas coisas que, se acaso isso ocorrer, a sua falta não me cause depressão, pelo tanto que deixei de ousar.

Eita, essa nossa vida cheia de percalços! Acontece que, para piorar, recebi a notícia do falecimento de um grande amigo na Baixada Santista. Sidnei Valentim da Silva era daqueles homens que carregam o sorriso fácil, a amizade plena e o coração mole de uma criança. Leitor voraz, dava-me uma colher de chá ao acompanhar estas crônicas e outros escritos de minha faina. Sempre questionava quando terminaria o romance sobre a vida de Maria Fea. Está engavetado, meu amigo, está engavetado! Foi o primeiro pensamento que pulou quando eu soube do ocorrido. O câncer o levou, depois de aguerrida luta.

Descanse em paz meu amigo, lembrando que é seu primeiro Natal junto ao aniversariante, assim, tête-à-tête. Se não for muito, peça a ele por nós, conte-lhe sobre nossas agonias e medos, nossas tristezas. Peça-lhe uma colherzinha de chá para este poeta sem norte. Bom domingo Sidinei, bom domingo moçada! Inté!