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Demasiadamente Humano

Ônus de ser, já nem sei.

Envia-me novas e lhe envio velhas,

Pois que a poeira visita a estante,

Pois que o tempo incomoda.

A graça está no botão a eclodir em flor.

Já vai tarde o momento do fruto maduro.

É momento em que se almeja antes sementes.

Nem jardins, nem estrelas, nem céu,

Nem mares, ou oceanos, nem mesmo riachos.

Apenas o vazio, o oco que faz eco no peito.

E não tendo, não haverei de almejar,

Pois que o destino está posto; as cartas na mesa.

E por estranha melancolia vejo o cansaço.

E este acena-me com lenços brancos

E eu não o cumprimento, apenas o respeito.

O heroico é meramente humano.

A natureza divina passeia em nuvens celestes.

E eu, anjo sem asas, me arrasto no pó da terra.

Olho o infinito, olho a saudade, nada vejo.

Oro sem palavras, mas apenas com lágrimas,

Ocultas gotas de minhas vistas exaustas.