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Páginas da Vida


 

Estranha melancolia,

Desfolho as páginas do livro de minha vida,

O vejo em boa parte já escrita.

Há quanto tempo escrevi o prefácio?

E não sei como o escrevi, pois que desconhecia o futuro.

E o futuro é hoje e amanhã já será passado.

Dentro de mim, moram a criança, o menino, o jovem, o adulto,

E no amadurecer contínuo em que o corpo se esvai,

Parece sinto em sentido inverso o espírito renascer.

Não sou hoje ou ontem, sou meu próprio quebra cabeças,

Entre os fragmentos que compõem o meu ser,

Parece existir um sujeito atemporal,

Algo que de tão além de mim,

Acabo por ter tamanha proximidade,

Que vezes me surpreende e até assusta.

Quanto quis saber, quanto desejei aprender,

Para então concluir que serei antes ignorância,

Ainda que em busca de luz,

Ainda que parecendo ampliar minha visão.

Já não tenho ilusões que a razão será suficiente,

Já a percebo como mera ferramenta,

Criação humana para tentar dominar o caos do mundo.

E se isto se um dia me inquietou, hoje reduz meu orgulho,

Sou único, mas não faz sentido não fazer parte do Todo.

Amo a paz de minha própria solidão,

Mas algo me chama aos combates,

Sou calmaria que guarda força de tempestades.

Me encanto com raios a caírem do céu,

Me deleito com o límpido céu noturno,

E nem por isto desconheço o jogo do mundo.

E nele é que fiz minhas escolhas,

E descobri que não se trata de vencer,

Mas de como vencer.

E nisto vitórias e derrotas se tornaram relativas.

É necessário estar comprometido para realizar,

Mas não se pode ter apego a realização.

É preciso ser prisioneiro resido tempo,

Para comungar com a utópica liberdade,

A liberdade compartilhada,

Onde a amor atinge plenitude,

Pois que não traz punhal oculto,

Mas é olhar sincero,

Palavra amiga,

É sentimento de fraternidade

Que é um vir a ser,

Mas que concluo distante de ser.