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Do pó da terra às brisas do céu


 

Engana-me, tempo, e eu finjo que sou enganado.

Onde está o jardim tão esperado?

Aquela paz utópica que de tão distante é tão bela?

Algo fixo em mim, aquilo que talvez seja minha essência.

Um velho muito cheio de anos que insiste em carregar um menino.

Um amor ferido que desejou ser ódio, mas não conseguiu,

Se encantou pelo fluir de grandeza do amor,

E ainda que não o entendesse, apenas quis ser seu servo.

E então toda violência de minha paixão se fez suave afeto.

Eis que não sou brisa, mas vendaval que se encantou pela brisa.

E por não ser, amei o que se fazia distinto, e nisto me encontrei.

Pois que antes árido, encontrei um oásis oculto no coração.

E descrente de ser, achei um sentido, um propósito.

E então eu que também parecia entender apenas almejei sentir.

E sabendo do tempo limitado, não o recusei,

Mas sabendo a efemeridade do homem,

No morrer de cada dia, renasci em espírito.

E os olhos ganharam visão que nunca tiveram.

E ainda presente no cotidiano, comecei a ficar distante.

Já não estou num espaço definido, mas finjo estar.

E em minha sensata loucura sou profeta de mim.

E isto em nada me acresce, não alimenta orgulho,

Mas uma humildade que guardo para mim.

Pois que ao homem não cabe parecer humilde,

Pois que em verdade a arrogância parece causar mais respeito.

Mas ledo engano, não é respeito, mas apenas medo e terror.

Respeito é ser amado, é conquistar de fato o coração alheio.

E talvez nisto esteja o maior encanto,

É no amor pelo outro que podemos encontrar nosso amor próprio.

Não um amor de apego, mas um amor que liberta,

Não um amor que possui, mas é tão livre que renuncia a si,

Sem perder a própria identidade.

E por isto se faz livre, ganha asas, respira ares distantes.

Tem encontro com seres sutis, verdadeiros ou não?

Ilusões, ou um possível sétimo céu,

E então resta apenas um grito de silêncio,

Um rogar de uma poesia que nasceu das letras,

Que foi escrita pela alma e por isto não se fez poema,

Mas terminou em sincera oração, em fé oculta.

Num longe que, de tão distante,

Fez a partícula, por um instante,

Se sentir mergulhada e fazendo parte do todo.