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Sobre supostas verdades e ilusões


 

Entre a opção entre a verdade e a felicidade,

Creio que optaria por conviver com a verdade,

Ainda que meu coração seja faminto de felicidade.

O tempo humano é escasso para conviver com o engano.

Qual a razão deste ser provisório pelo qual tanto lutamos?

Por que se questionar,

Se na alienação da zona de conforto,

Se faz possível brindar e gozar das mais tolas ilusões?

Qual o motivo de se apostar numa busca interior,

Quando tudo parece convidar a prisão do cotidiano.

Prisão? Ora, se julga livre, ou refém de suas crenças?

Prevalece em você a ilustre certeza de suposta sabedoria?

Quando se sorvesse o licor da humildade,

Teria a percepção do quanto realmente ignora,

Antes de subir em pedestal para adorar seu próprio ego.

Crê realmente que controla o seu destino?

Crê que a Fonte almeja sua idolatria e não sua lealdade?

Crê em supostas santidades autoproclamadas?

Prefere a mentira conveniente que pode lhe anestesiar,

Do que a dor que pode advir da verdade que lhe bate a porta?

Supõe ser possível transferir o que lhe cabe para outro fazer?

Crê que o sacrifício de outro o livra de seu próprio esforço?

Se pensa salvo por simular crenças humanas

Que capturam a fé que é ponte para o que é de fato divino?

Pensa ser possível acumular os badulaques da vida

E imagina que têm lugar em seu esquife?

Quer ser salvo, sem ter esforço em sua própria salvação?

Compartilha da ilusão que os templos humanos

São suficientes para lhe livrar de suas ações com o templo do universo?

Vive preso aos amuletos, pensa que é possível comprar suposto paraíso?

Lamento, mas saiba que sua consciência grava sua vida,

Que perante a possibilidade de algum julgamento futuro,

Estará desnudo frente ao olhar do Grande Juiz.

Então, falo eu de verdades? Ora, como posso saber?

Minha fé é dúvida,

Pois é meu coração que atinge,

Onde a minha razão se faz insuficiente.

Mas como viver sem certezas convenientes?

E então pergunto: valerão elas mais do que pouco ou nada?

A opção é se concluir migalha de um Todo,

Em propósito que vai além da compreensão,

Mas que se pode ter noção, ainda que rala,

Do certo e o errado, pois isto é que constrói o justo.

Se quer se convencer, se tem certezas,

E precisas de outro para ser conforme sua própria vontade.

Não se engane, ser é solitário,

Ainda que por misericórdia maior,

Na perspectiva gregária parece surgir alguma luz.

Então que se faça lume,

Pois que por menor que seja

Permitirá redução da obscuridade.

Tábua de salvação do naufrágio da humanidade.

Ora, por que ir tão longe?

O cotidiano urge, as horas lhe chamam.

Não há tempo para se pensar tanto,

Porém qual realmente será o tempo?

Qual será o momento?

Estará no princípio, no meio ou no fim?

Muitas perguntas, muitas questões,

Momento de ouvir o silêncio.