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PASSARINHO PASCAL


 

Pingos de água da chuva. 

Fragmentos de luze celestes. 

Alma encarcerado no corpo. 

Quer asas, quer voar, quer a fonte, 

Quer mergulhar nas águas primeiras. 

Bençãos perdidas, pequeno passarinho, 

Asas coloridas, tons das tintas da vida. 

E eis que a alma pacificada repousa no corpo. 

Lâmpada invisível, película de cristal... 

E à longe música em sons cristalinos. 

Espírito inquieto, mas ainda é tempo de ficar. 

Não existe morte para quem descobriu a eternidade. 

Ou seria o avesso? 

A eternidade que teria levantado o véu da parca? 

Delicados ramos de flores sobre os ombros, 

Já não se faz a cruz presente,  

Pascoa de cada um.  

O pão sagrado. 

A hora marcado no calendário da Criação. 

Eis que por mitos se revelação verdades ocultadas. 

No silêncio voz serena cochicha aos ouvidos. 

Sons vocálicos de uma garganta inefável 

Seria um profundo abismo  

Ou o cume de montanha transcendental? 

Corpo, gaiola dourada que aprisiona, 

Ou portal em que o humano atinge o transcendental.  

Céu regado por lilases que se integram a azuis. 

Rarefeitas nuvens, e ao fundo a boca calada,  

Não porque não diz, mas porque consente. 

Prevalece o olhar que medita a se perder em estrelas. 

Estrelas diurnas? Nem diurnas, nem noturnas.... 

Noite e dia, são apenas face do girar da terra 

Que parece bailar em valsa em torno do sol.  

Sede de deserto, um oásis, água límpida. 

Que os sedentos matem a sede,  

Acima do vinho estará sempre a água.  

Bendita água que nos batiza o corpo, 

Que erguido das teias biológicas, 

Das cinzas que insistem apego ao pó da terra, 

Se inflama em batismo de fogo que alumia a alma. 

Mãos que acolhem, dia perdido, dia encontrado... 

Em algum momento a libertação pela ressureição. 

E se conseguiu andar por estas trilhas andas em letras, 

Veja que o passarinho está a voar. 

Que ele tem atrás de si uma face plácida, 

Que apenas lhe sorri, e o sorriso é tanto. 

Pois que ele é acalanto de encontro  

É convite para a pacificação de cada um. 

É o segredo que não se faz oculto aos olhos de ver, 

Aos ouvidos de ouvir, 

Aos velhos que optaram a serem crianças, 

E se reuniram em um canto que mais parece oração. 

Numa praça qualquer, 

Num ponto geográfico perdido, 

Numa fagulha de átomo  

Que é um planeta em relação ao universo. 

Que como que delicada lâmpada de lume azul,  

Fica mergulhado no infinito, 

Nave mãe de tantos cegos e surdos as palavras do silêncio. 

E então curvem-se ao silêncio, pois ele tudo diz.