Qui05262022

Last update04:34:26 PM

Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Artigos Traços de alegria em meio a tristeza

Artigos

Traços de alegria em meio a tristeza



Vai longe os meus dias.

Morremos a cada dia,

Mas lutamos por viver a cada momento.

Buscando como mariposas em torno de luzes,

Nossas fugazes migalhas de felicidade.

Nos anestesiando com sonhos e ilusões,

E ainda que não sendo iludidos,

Sabemos da justa necessidade deste alívio

Para suportarmos as indesejáveis dores da vida.

Ainda que a face ganhe o relevo das rugas,

Que os o contorno do rosto fique com pelos prateados,

No coração ainda existe um menino que tudo vê.

Este velho infante parece encontrar com um infante senil.

Talvez as cores não fossem tão belas,

Se não tivessem algo de onírico.

Talvez os prazeres dos sentidos,

Não atingissem o gozo se não tivessem um tempero lúdico.

Páginas que vamos escrevendo,

Uma espécie de livro em que o sujeito

Ao fim será absorvido pelas suas páginas.

Na ilusão que o tempo nos proporciona,

No integrar de passado, presente e futuro,

Eu diria que já nascemos póstumos.

E é claro aqui vai uma dose de doce ironia.

Doce, pois que não tem amargura,

Mas como que um velho vinho,

Tem o sabor ditado pela resignação.

Não envelhece bem quem não aprende a arte da resignação,

Como que num sentido inverso a vida continua,

Da primavera ao verão, do verão para o outono,

E do outono para o inverno.

Que nenhuma estação seja absoluta,

Que cada uma tenha sua beleza e encanto.

Que em cada rosto coberto pelas linhas do tempo,

Vejamos o brilho que ali esteve na juventude.

E quem sabe assim tenhamos a sensação de graça,

Consigamos sentir a misericórdia,

Que é tão difícil de ser entendida em nossa alma.

Pois que o amor não é tolo, 

Mas suavemente exigente.

Semente latente que brota no solo da alma.

Ah, o amor, o que seria ele sem a justiça,

E o que seria da justiça sem o amor.

As letras não findam, mas o texto sim,

E com a sensação de ser tão minúsculo,

Parece que mergulho em uma grandeza,

Que não é de minha posse,

Mas que de algum modo faço parte,

Sem saber o porquê, sem entender a razão,

E as letras meio que cansadas,

Mas também serenas,

Mergulham na resignação,

De se encontrarem na solidão de si,

Um ponto de conexão com o Todo.

Deixando como de lado o raciocínio, Apenas sentido absoluto, 

Um meio que parece ver ao Todo.

E numa oração intuitiva

Me faço refém pacífico da minha própria existência.